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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Um equívoco concertado - XXVII

Resposta ao desafio da Ana

Não obstante saírem, rirem e quase chorarem juntos pairava sobre ambos uma nuvem negra. Sentiam intimamente a sensação de que algo entre ambos não estava resolvido.

Fosse um equívoco, uma dúvida, uma palavra… não o sabiam. Certo, certo é que qualquer coisa os separava de uma relação mais próxima.

Alcides muitas vezes na solidão do seu gabinete pensava no que poderia ter havido entre ambos para que não avançassem para uma relação (ainda) mais próxima. Recuara uma quinzena de anos e procurava nas suas memórias um momento menos feliz, uma palavra errada, um gesto estranho… Mas nada, rigorosamente nada. Seria de ter ocupado o lugar na empresa que fora de Ângela? O vírus da dúvida corroía-lhe o coração e assim pegou no telemóvel e ligou a Ângela:

- Olá flor!

- Oi jovem! Então? – e deixou que Alcides acabasse pergunta.

- Tenho saudades tuas, sabes?

Um silêncio. Ele retornou:

- Há algo em nós que não está bem. Nem sei porquê, mas sinto sempre uma nuvem negra por cima de nós.

Ângela respondeu:

- Estava a ver que era só eu… Mas sei o que se passa entre nós…

- Sabes?

- Sei…

- E o que é?

Sentiu que a namorada ria. Esperou que ela falasse:

- Amanhã digo-te!  - e desligou.

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