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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Três quadras ao Santo António!

Ó meu bom santo lisboeta

António de teu rico nome

Avia-me aí uma lambreta*

Antes que morra à fome.

 

Brincamos hoje quase todos

Aos bons santos populares

Sob uns resistentes toldos

Há que dar aos molares.

 

Todos os anos tem sido uso

Escrever parvoíce a preceito

Quiçá algo em mor desuso,

Não quero saber. Está feito.

 

* lambreta - cerveja em copo pequeno

Quadras a Santo António - 2022

Dia de António o bom Santo

É sempre fantástico feriado

Foi mestre alfacinha e tanto

Que viajou por tanto lado.

 

Viveu outros tempos é certo

Daqueles. Nem ousou olvidar.

Foram anos duros decerto

Que lhe deram força para andar.

 

Voltaram as sardinhas e o fumo

Daquelas a arder na brasa quente

Copos de tinto quiçá um sumo

Num arraial com tamanha gente.

 

É festa dizem os moinantes

Sempre a bem comer e a beber

Voltámos ao que era dantes

Toda a gente quer esquecer.

 

Mas lá longe na imensa guerra

Há quem lute corajosamente

Por uma livre e próspera terra

Que nem um Santo Valente.

 

Vai Santo António ajudar vai

Aqueles que choram a dor.

Sai desse alto púlpito sai

Vem parar este imenso horror.   

Uma quadra por dia...

Para a Ana!

Ai Santo António padroeiro

Das cidades de Lisboa e Pádua

Continuas santo milagreiro

Sem medo nem uma mágoa.

 

Quem casa neste teu dia

Dizem que o faz por amor

Acreditas nessa profecia

Ou é mais fala que ardor.

 

Vai Santo da capital, vai

Alegrar os jovens corações.

Pois deles o pouco que sai.

É vida feita de explosões.

 

Vou finalmente embora

Já que o dia está no fim

Mas estarei aqui e agora

E um milagre para mim.