Ó meu bom santo lisboeta
António de teu rico nome
Avia-me aí uma lambreta*
Antes que morra à fome.
Brincamos hoje quase todos
Aos bons santos populares
Sob uns resistentes toldos
Há que dar aos molares.
Todos os anos tem sido uso
Escrever parvoíce a preceito
Quiçá algo em mor desuso,
Não quero saber. Está feito.
* lambreta - cerveja em copo pequeno
Dia de António o bom Santo
É sempre fantástico feriado
Foi mestre alfacinha e tanto
Que viajou por tanto lado.
Viveu outros tempos é certo
Daqueles. Nem ousou olvidar.
Foram anos duros decerto
Que lhe deram força para andar.
Voltaram as sardinhas e o fumo
Daquelas a arder na brasa quente
Copos de tinto quiçá um sumo
Num arraial com tamanha gente.
É festa dizem os moinantes
Sempre a bem comer e a beber
Voltámos ao que era dantes
Toda a gente quer esquecer.
Mas lá longe na imensa guerra
Há quem lute corajosamente
Por uma livre e próspera terra
Que nem um Santo Valente.
Vai Santo António ajudar vai
Aqueles que choram a dor.
Sai desse alto púlpito sai
Vem parar este imenso horror.
Para a Ana!
Ai Santo António padroeiro
Das cidades de Lisboa e Pádua
Continuas santo milagreiro
Sem medo nem uma mágoa.
Quem casa neste teu dia
Dizem que o faz por amor
Acreditas nessa profecia
Ou é mais fala que ardor.
Vai Santo da capital, vai
Alegrar os jovens corações.
Pois deles o pouco que sai.
É vida feita de explosões.
Vou finalmente embora
Já que o dia está no fim
Mas estarei aqui e agora
E um milagre para mim.