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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Desgarrada de Carnaval!

Vamos brincar Carnaval

Lançam os foliões.

Que ninguém leva a mal

Nem ricos nem pobretões.

 

Prefiro estar longe

Da malta brincalhona.

Antes eremita ou monge,

Que ouvir uma sanfona.

 

Não ouso negar não

As máscaras dif’rentes.

As de Veneza então

São belas, valentes.

 

Fica assim lançado

Mais este desafio

Nem cantiga nem fado

Talvez um assobio.

 

Nota:

quem quiser participar pode fazê-lo com uma ou mais quadras através de um comentário neste blogue, através do seu próprio blogue (se o tiver) com referência a este desafio ou enviar mail para josedaxa@sapo.pt. Tanto nos comentários como por mail ou nos blogues eu acabarei por juntar aqui a(s) quadra(s). Assim ficará mais visível. Vamos lá então escrever!

 

Respostas:

Beatriz Costa

O José desafia e o pessoal não quer falhar
Ele é um craque com as palavras, mas eu também vou tentar
De palhaços está o mundo cheio, dizem as bocas das gentes
Eu cá acho que o mundo está cheio de charlatões que não sabem estar contentes

A minha resposta

Desafiar não dói

Quem o diz, muito sabe.

Não quero ser herói

Rir antes que desabe.

Quadras biográficas! #1

Nasci nu disseram-me

Em terras de Lisboa

Depois vestiram-me

Umas vestes à toa.

 

Filho único nasci

E assim fiquei eu.

Jamais mano eu vi

Nem com o mito Morfeu.

 

Aos seis anos era

Caixa de óculos, sim!

Uma alcunha bera

Que eu sentia em mim.

 

Longe de aluno bom

Triste noite e dia.

Acordei assim ao som

Da alma que sofria.

 

Mudei o meu vil rumo

Para pobre poeta.

Palavras sem aprumo

De coração pateta.

 

Foi nas letras que senti

O pulsar de mim mesmo

Escrevi e escrevi

Minhas dores a esmo.

Quadras do meu Natal!

Eis que bate o Natal

À porta da esperança.

Dizem que há festa e tal

E dias de abastança.

 

Digam o que disserem

O Natal é pequenino.

Miúdos a brincarem

Pais 'tadinhos sem tino.

 

Viva o Natal! gritam!

Mas nas ruas há frio.

Dos que não assustam

Nem com mar nem o rio.

 

Viverei outra festa?

Ninguém sabe responder

Vou dormir uma sesta

Até me saberem dizer.

Hoje convido eu! #30

A desafiarem-me

Eu coloquei-me a jeito, ah pois coloquei. Então não é que convidei a Maria João dona de diversos blogues donde destaco poetapokedeusker para também me desafiar? Resultado atirou-me para as mãos este verso: Foi num dia de Verão.

Agora teria de escrever uma quadra com este verso. Bom... o resultado segue abaixo. Quase de certeza que estarei muuuuuuuuuuuuuuuito longe do que esperava esta poetisa, mas quem dá o que tem...

 

A aldeia acordou sobressaltada com tamanho foguetório. Naquela sexta feira, quatro anos depois do último arraial, iniciavam-se as festas em honra de Nossa Senhora da Carreira e de Santo António.

Desde 2020 que a aldeia ansiava por estas festividades. Primeiro fora o covid que durante dois anos proibira a sua realização, para em 2022 a Comissão não conseguir arregimentar gente suficiente para ajudar a erguer a festa.

Foi o pároco Germano que num fim de missa perguntou à assembleia presente quem estaria disponível para ajudar. Poucos ou nenhuns responderam, mas certo é que a partir desse dia muitos deram o seu contributo para erguerem a festa.

Para além da normal cerimónia religiosa agendada para o Domingo com missa e procissão pelas ruas da aldeia, estavam previstos diversos eventos, entre eles os normais bailaricos sempre animados com artistas muito populares.

Dentro dos acontecimentos planeados saudava-se o regresso de um campeonato de chinquilho, havia muito tempo desaparecido das festas, um jogo de futebol entre solteiros e casados, para acabar na tarde de Domingo com um concurso de quadras.

Foi no final da missa dominical e antes da procissão que o Padre avisou que a inscrição para as quadras estaria aberta até perto das 15 horas.

O concurso teria um júri constituído pelo Doutor Frutuoso de Almeida, ilustre escritor, poeta, ensaísta e filho da terra, pela antiga professora primária Dona Palmira da Assunção, pelo presidente da Comissão de Festas o senhor Galvão e finalmente a menina Filomena Ferreira que era estudante finalista de Direito em Coimbra.

À hora aprazada deu-se início ao certame. Enquanto uns passavam para a fase seguinte outros eram excluídos para, no final, se encontrarem apenas dois opositores. Um deles era o Presidente da Junta de Freguesia, Dr. Martins Calado e Plínio Gonçalves um aldeão jovem e que na escola primária até fora colega de Filomena.

A final parecia interessante até porque ninguém imaginaria que o jovem conseguisse chegar tão longe. Estaria tudo em aberto. Começaria Plínio com a quadra à qual o adversário responderia e assim sucessivamente até o júri considerar que havia um vencedor evidente.

O jovem sobe ao palco e olhando sorrateiramente para Filomena inicia:

Foi num dia de Verão

Como verão um dia.

Assim bateu o coração.

Um coração que doía

 

Palmas entusiásticas do público! Resposta veio a seguir de Calado:

 

Não me fale em coração,
 
O meu coração nem fala,
 
Rola a lágrima na mão
 
Porque a dor, essa não cala

Plínio continua:

Dizem que o amor não dói

Mas dói mesmo o amor.

Sei o que ele me corrói,

Que o diga a minha dor!

 

Visivelmente atrapalhado Calado dá uso ao seu apelido… O silêncio na plateia é enorme… aguarda-se que o senhor Presidente diga qualquer coisa.

De súbito levanta-se Filomena e olhando para o antigo colega declama:

Temos já um vencedor

Agora mesmo por fim

Falaste muito em amor

Eu digo Plínio que sim!

Quadras a Santo António - 2022

Dia de António o bom Santo

É sempre fantástico feriado

Foi mestre alfacinha e tanto

Que viajou por tanto lado.

 

Viveu outros tempos é certo

Daqueles. Nem ousou olvidar.

Foram anos duros decerto

Que lhe deram força para andar.

 

Voltaram as sardinhas e o fumo

Daquelas a arder na brasa quente

Copos de tinto quiçá um sumo

Num arraial com tamanha gente.

 

É festa dizem os moinantes

Sempre a bem comer e a beber

Voltámos ao que era dantes

Toda a gente quer esquecer.

 

Mas lá longe na imensa guerra

Há quem lute corajosamente

Por uma livre e próspera terra

Que nem um Santo Valente.

 

Vai Santo António ajudar vai

Aqueles que choram a dor.

Sai desse alto púlpito sai

Vem parar este imenso horror.   

Quadras à sexta!

Bom fim de semana Ana!

Hoje apetece-me escrever

Uma quadra simples, daquelas.

Estarei eu louco ou a antever

Sarilhos, guerras ou só mazelas.

 

Tenho alguns dias assim, curiosos

Carregados de lamúrias ou tolices

São momentos pesados, onerosos

Cheios de bom humor e parvoíces.

 

Também é preciso para animar

As manhãs, tardes, noites enfim.

Um pouco de luz e quiçá amar

Aquele desejo que há em mim.

 

Termino esta semana rimando

Quiseram elas, palavras tontas

Por aqui vou ficando e brincando

Em crente busca de novas contas.

Quadras à sexta-feira... 13!

Para a Ana, com carinho,

Tenho o sonho de ser escritor

Para te dar as palavras certas.

Queria sair deste triste torpor.

Ter vida e alma sempre abertas.

 

Tenho o sonho de ser poeta

Dizer o que sinto, devagar

Reconheço que sou pateta

Por querer ainda navegar.

 

Será melhor deixar de sonhar

Pois o sonho estraga a vida

Não será mui difícil adivinhar

Que a demanda está perdida