Para terminar as festas
Um São Pedro pescador.
Não há folias como estas
A brincar ou com fervor.
Há muito que eu deixei
As festas e as folias.
Nem a S. Pedro ousei
Buscar mais alegrias.
Para o ano haverá
Mais festas com certeza.
Folias aqui e acolá
Algumas com beleza.
Olá viva São João
Santo de muitos lados
A noite é do folião
De copos e grelhados.
Mais uma longa noite
Em tanto bom Portugal.
Mas que ninguém açoite
A alegria natural.
O povo quer é festa
Desta genuína, real.
Amanhã dormirá a sesta
Até ao próximo festival.
Olh’o bonito balão
Na festa de arromba
É dia de São João
Vai mais uma bomba?
De Bracara é Santo
Tal como é da Invicta
Será que ainda canto
Uma moda bonita?
Três são estas quadras
Para bem comemorar
Cuidem-se nas estradas
Não vá termos de orar.
Santo António de nome
És um santo dos bons
Ajudas pobres com fome
Dá-lhes pão e bombons.
Mas nem todos te olham
Como Santo de milagres
Outros muito te ralham
Por não os pores alegres.
Hoje é noite de manjerico
Quadras, sardinhas e mais
Vão os tios Luz e Ludovico
Dançar para os arraiais.
Vamos brincar Carnaval
Lançam os foliões.
Que ninguém leva a mal
Nem ricos nem pobretões.
Prefiro estar longe
Da malta brincalhona.
Antes eremita ou monge,
Que ouvir uma sanfona.
Não ouso negar não
As máscaras dif’rentes.
As de Veneza então
São belas, valentes.
Fica assim lançado
Mais este desafio
Nem cantiga nem fado
Talvez um assobio.
Nota:
quem quiser participar pode fazê-lo com uma ou mais quadras através de um comentário neste blogue, através do seu próprio blogue (se o tiver) com referência a este desafio ou enviar mail para josedaxa@sapo.pt . Tanto nos comentários como por mail ou nos blogues eu acabarei por juntar aqui a(s) quadra(s). Assim ficará mais visível. Vamos lá então escrever!
Respostas:
Beatriz Costa
O José desafia e o pessoal não quer falhar Ele é um craque com as palavras, mas eu também vou tentar De palhaços está o mundo cheio, dizem as bocas das gentes Eu cá acho que o mundo está cheio de charlatões que não sabem estar contentes
A minha resposta
Desafiar não dói
Quem o diz, muito sabe.
Não quero ser herói
Rir antes que desabe.
Nasci nu disseram-me
Em terras de Lisboa
Depois vestiram-me
Umas vestes à toa.
Filho único nasci
E assim fiquei eu.
Jamais mano eu vi
Nem com o mito Morfeu.
Aos seis anos era
Caixa de óculos, sim!
Uma alcunha bera
Que eu sentia em mim.
Longe de aluno bom
Triste noite e dia.
Acordei assim ao som
Da alma que sofria.
Mudei o meu vil rumo
Para pobre poeta.
Palavras sem aprumo
De coração pateta.
Foi nas letras que senti
O pulsar de mim mesmo
Escrevi e escrevi
Minhas dores a esmo.
Eis que bate o Natal
À porta da esperança.
Dizem que há festa e tal
E dias de abastança.
Digam o que disserem
O Natal é pequenino.
Miúdos a brincarem
Pais 'tadinhos sem tino.
Viva o Natal! gritam!
Mas nas ruas há frio.
Dos que não assustam
Nem com mar nem o rio.
Viverei outra festa?
Ninguém sabe responder
Vou dormir uma sesta
Até me saberem dizer.
Com a ajuda competente da Maria João
Dizem que sem a Musa
Não há poemas, rimas.
Já ninguém diz que usa
Os versos e as cismas.
Ei-lo o derradeiro
São Pedro popular.
Dizem que sorrateiro
Se recusou a falar.
De Sintra é orago
A sorte que ele tem.
Queijadas de um trago
melhor só os de Belém.
Acabam breve as festas
Que enchem de alegria
O pópulo sem sestas,
Vida e alma rebeldia.
Hoje é dia dez de Junho
Dia do nosso Portugal
Onde estará o cunho
Que criou este quintal
Dia de Luis de Camões
O nosso maior poeta
Um ladrão de corações
Pior que um bom atleta.
Dia das Comunidades
Daquém e além mar
Em todas as cidades,
Há um lusitano a rimar.