Há uma linha,
Nessa face de neve,
Que me faz doer
O coração, a alma.
Socorro-te
Num abraço sereno
Num beijo surdo
A palavra terna.
Estendes a mão,
Procuras o Mundo,
Eu dou-te alegria
Tu dás-te a mim.
Danças num sorriso
E num grito feliz.
Sei agora
Que és musa única.
Gosto de ser assim,
simples,
incompleto.
Gosto de amar,
Com ardor,
Ficar preso.
Gosto de passear
Entre prados,
Livres.
Gosto de ti e de todos,
incoerentes,
abruptos.
Sou só um homem,
Não um homem só!
Há no teu voar
sereno e ondulante
Uma liberdade
que eu não conheço.
Há no teu grito
sonoro e profundo,
Uma voz
que não sei traduzir.
Colada ao anil
tão claro e infinito,
Voas buscando
um novel caminho.
És um momento
de liberdade.
Partir por fim,
jamais regressar.
Escondes-te
nessa almofada,
que pinta
o céu de branco.
Sobes e desces
ao vento...
Esse nosso amigo
silencioso.
Sonho-me também
assim livre,
repleto de mundo
ao meu redor.
Sonho-me também
assim perto,
desse azul céu
límpido e perene.
Somos homem e ave
a ansiar,
que a noite escura
nunca chegue.
Ambos queremos
amar o infinito,
E achar
a vida num desejo!
Sabes que cor tinham as contas que usavas
Naquele estranho encontro no alfarrabista
onde comprámos romances apaixonantes?
Lembras-te de que cor era aquele pôr do sol
quando, pela primeira vez, os nossos lábios,
conheceram o gosto inesquecível do amor?
Recordas-te de que cor era o teu belo vestido,
Que estreaste numa branda tarde, quase noite,
Em que ambos provámos o néctar da paixão?
Tens ideia de que cor era a doce madrugada
Em que acordámos juntos, nus e tão felizes
E olhando pela janela, sorrimos de encanto?
Olha amor, tens agora na tua enferma mão,
Mesmo nesta que já não mexe, nem aceita
Uma encantadora laranja. Sim a nossa cor!
Texto escrito no âmbito do desafio da "caixa de lápis de cor" da Fátima,. Entram também a Concha, a A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor, a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue, e o João-Afonso Machado
Amei-te,
Sonhei-te,
Desejei-te,
Afaguei-te,
Sussurrei-te,
Idolatrei-te,
Acariciei-te.
E tu?
Julgaste-me,
Feriste-me,
Humilhaste-me,
Varreste-me.
Será isto amar?
Há quanto tempo,
sol
Que não te deixas ver?
Uma invernia daquelas,
Chuva
A surgir diariamente.
Há quanto tempo,
Amor
Não vês as minhas mãos?
Uma tristeza imensa,
Dor
A corroer por dentro.
Há quanto tempo,
Vida
Não alegras meu coração?
Uma bravata vincada,
Guerra
A lutar comigo.
Roubo-te uma gargalhada,
Um beijo terno,
Um sorriso matreiro.
Estendes-me os braços
Pequenos e débeis
Qual herói salvador.
Recebo-te encantado
Como prenda desejada,
Breve momento singular.
Doze meses, um ano,
Já tantas semanas.
E um amor tão fino.
Recortado esse amor
em linhas que fui fiando,
Vive hoje e sempre.
Pobre escriba é este
Que não sabe traduzir
O que o coração manda.
Um dia lerás ou não
Estes pedaços de luz
Que será minha e tua.
Cerram-se com vigor os punhos.
Gritam-se alarvemente alegrias,
Sonham-se luminosos Junhos
Repletos de luz e energias.
Saiba eu quem somente acredite,
O que tantos outros desejam
Há quem ainda muito medite,
No que os crédulos ensejam.
Saiu um ano, entrou um ano,
todavia a dor ainda aqui fica
Sem sequer saber qual o dano
Nem o que aquele significa.
Foram dias, semanas, meses,
Abraços e carinhos proibidos
Foram tantas, tantas as vezes,
Que perdemos nossos sentidos.
Que possa finalmente eu dar
Aquele abraço sincero, quente
E em vez de um vazio, um mar
De mãos abertas a toda a gente!
A esperança mora aqui!
Há longos dias e noites,
assim
Feitas de lágrimas e tristezas
Não sei se é apenas
de mim,
Ou de caminhos e incertezas!
Procuro na minha vazia
mão
Aquele aperto tão desejado.
Consigo encontrar um
não,
Um grito de raiva adiado.
Olho o horizonte lá
longe,
Traz uma esperança enrolada.
Em profecia de um
monge,
Que me diz malfadada.
Partir poderia ser
solução
Para a dor neste peito,
Mais valia que fosse
coração,
Haveria mais alegria a eito!
Um dia amei o sol
E tornei-me uma flor.
Certa noite amei a Lua
E passei a ser só dor.
Certa vez desejei vencer
E comprei uma bravata.
Depois pensei desistir
E achei a ignomínia.
Pensei em rir feliz,
Mas morreu-me o tino.
Por fim quis chorar,
E riram-se de mim.
Hoje mais vale ser
Cinzento ou sem cor.
Manso que nem lago,
Serena brisa estival.