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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Poema

Há uma linha,

Nessa face de neve,

Que me faz doer

O coração, a alma.

 

Socorro-te

Num abraço sereno

Num beijo surdo

A palavra terna.

 

Estendes a mão,

Procuras o Mundo,

Eu dou-te alegria

Tu dás-te a mim.

 

Danças num sorriso

E num grito feliz.

Sei agora

Que és musa única.

Poema breve

Há no teu voar

sereno e ondulante

Uma liberdade

que eu não conheço.

Há no teu grito

sonoro e profundo,

Uma voz

que não sei traduzir.

 

Colada ao anil

tão claro e infinito,

Voas buscando

um novel caminho.

És um momento

de liberdade.

Partir por fim,

jamais regressar.

 

Escondes-te

nessa almofada,

que pinta

o céu de branco.

Sobes e desces

ao vento...

Esse nosso amigo

silencioso.

 

Sonho-me também

assim livre,

repleto de mundo

ao meu redor.

Sonho-me também

assim perto,

desse azul céu

límpido e perene.

 

Somos homem e ave

a ansiar,

que a noite escura

nunca chegue.

Ambos queremos

amar o infinito,

E achar

a vida num desejo!

A cor laranja

Sabes que cor tinham as contas que usavas

Naquele estranho encontro no alfarrabista

onde comprámos romances apaixonantes?

 

Lembras-te de que cor era aquele pôr do sol

quando, pela primeira vez, os nossos lábios,

conheceram o gosto inesquecível do amor?

 

Recordas-te de que cor era o teu belo vestido,

Que estreaste numa branda tarde, quase noite,

Em que ambos provámos o néctar da paixão?

 

Tens ideia de que cor era a doce madrugada

Em que acordámos juntos, nus e tão felizes

E olhando pela janela, sorrimos de encanto?

 

Olha amor, tens agora na tua enferma mão,

Mesmo nesta que já não mexe, nem aceita

Uma encantadora laranja. Sim a nossa cor!

 

Texto escrito no âmbito do desafio da "caixa de lápis de cor" da  Fátima,. Entram também a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue, e o João-Afonso Machado

Um ano!

Roubo-te uma gargalhada,

Um beijo terno,

Um sorriso matreiro.

 

Estendes-me os braços

Pequenos e débeis

Qual herói salvador.

 

Recebo-te encantado

Como prenda desejada,

Breve momento singular.

 

Doze meses, um ano,

Já tantas semanas.

E um amor tão fino.

 

Recortado esse amor

em linhas que fui fiando,

Vive hoje e sempre.

 

Pobre escriba é este

Que não sabe traduzir

O que o coração manda.

 

Um dia lerás ou não

Estes pedaços de luz

Que será minha e tua.

Vinte e um!

Cerram-se com vigor os punhos.

Gritam-se alarvemente alegrias,

Sonham-se luminosos Junhos

Repletos de luz e energias.

 

Saiba eu quem somente acredite,

O que tantos outros desejam

Há quem ainda muito medite,

No que os crédulos ensejam.

 

Saiu um ano, entrou um ano,

todavia a dor ainda aqui fica

Sem sequer saber qual o dano

Nem o que aquele significa.

 

Foram dias, semanas, meses,

Abraços e carinhos proibidos

Foram tantas, tantas as vezes,

Que perdemos nossos sentidos.

 

Que possa finalmente eu dar

Aquele abraço sincero, quente

E em vez de um vazio, um mar

De mãos abertas a toda a gente!

 

A esperança mora aqui!

Dor que dói!

Há longos dias e noites,

assim

Feitas de lágrimas e tristezas

Não sei se é apenas

de mim,

Ou de caminhos e incertezas!

 

Procuro na minha vazia

mão

Aquele aperto tão desejado.

Consigo encontrar um

não,

Um grito de raiva adiado.

 

Olho o horizonte lá

longe,

Traz uma esperança enrolada.

Em profecia de um

monge,

Que me diz malfadada.

 

Partir poderia ser

solução

Para a dor neste peito,

Mais valia que fosse

coração,

Haveria mais alegria a eito!

Balanceando!

Um dia amei o sol

E tornei-me uma flor.

Certa noite amei a Lua

E passei a ser só dor.

 

Certa vez desejei vencer

E comprei uma bravata.

Depois pensei desistir

E achei a ignomínia.

 

Pensei em rir feliz,

Mas morreu-me o tino.

Por fim quis chorar,

E riram-se de mim.

 

Hoje mais vale ser

Cinzento ou sem cor.

Manso que nem lago,

Serena brisa estival.