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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Entre o ar e o mar

Calculas quanto há de amor 

numa mão estendida à dor?

 

Imaginas quão brando é o coração

que ama sem sofrer de paixão?

 

Sabes como dorme o pensamento

de quem vive sempre o momento?

 

Que caminhos percorrem os sonhos

quando não há outros testemunhos?

 

As respostas pairam talvez no ar

ou quem sabe nas ondas do mar!

Nostalgia

Fosse eu poeta e trovador

De canções de belo cantar

Trovaria sobre paixão e amor

Liberdade, odes de encantar.

 

Lancei à terra dos sonhos

Esperanças de novos dias.

Colhi frutos tão tristonhos

Incertezas e noites frias.

 

O mundo não me chorará

Na noite em que eu partir

Pois a vida não se ensaiará

Do meu passado também rir.

 

Não importa as lágrimas

que choro sempre sozinho.

São de uma vida pérolas,

Que ensinaram o caminho.

Vagueando!

Vai, voa,

Alcança o anil acolchoado.

Brancas almofadas

onde te escondes.

 

Vai, voa,

Abraça vento e o Sol.

Trilhos simples,

Sem dor nem cor.

 

Vai, voa,

Não olhes para trás.

Não busques,

Apenas aceita.

 

Vai, voa,

E traz-me notícias.

De mim,

do mundo.

 

Vai, voa.

Diz ao futuro incerto.

Que estou prestes

A chegar!

Salvação!

Num mundo repleto de certezas

Há brilhos dúbios.

Numa vida plena de apontamentos,

Há laivos de tristeza.

 

Os dias que desabrocham a cada manhã

Têm o cheiro da maresia.

As noites que poisam na minha janela,

Trazem o aroma da esperança.

 

Os caminhos que vou em paz trilhando,

Outrora rios, estão secos.

Porque o doce marulhar da água límpida,

Tornou-se vento suão.

 

Estendes-me a mão em pleno socorro,

Mas nem sei se mereço.

Não desejo que agora me salvem assim,

Só quero de mim salvar.

Dia Mundial da Poesia!

Como não amar a natureza, como?

Nas flores primaveris, no Sol brando.

Como não escrever poesia, como?

Se há viva alegria para lá do pranto.

 

Como não querer amar, como?

A madrugada fria, o vento cortante.

Como não desejar sonhar, como?

Com a felicidade, o idílico amante.

 

Como não deixar a paixão, como?

Viver o risco sedutor da desilusão.

Como não ousar assumir, como?

Que a vida tem alma e coração.

Poema

Há uma linha,

Nessa face de neve,

Que me faz doer

O coração, a alma.

 

Socorro-te

Num abraço sereno

Num beijo surdo

A palavra terna.

 

Estendes a mão,

Procuras o Mundo,

Eu dou-te alegria

Tu dás-te a mim.

 

Danças num sorriso

E num grito feliz.

Sei agora

Que és musa única.

Poema breve

Há no teu voar

sereno e ondulante

Uma liberdade

que eu não conheço.

Há no teu grito

sonoro e profundo,

Uma voz

que não sei traduzir.

 

Colada ao anil

tão claro e infinito,

Voas buscando

um novel caminho.

És um momento

de liberdade.

Partir por fim,

jamais regressar.

 

Escondes-te

nessa almofada,

que pinta

o céu de branco.

Sobes e desces

ao vento...

Esse nosso amigo

silencioso.

 

Sonho-me também

assim livre,

repleto de mundo

ao meu redor.

Sonho-me também

assim perto,

desse azul céu

límpido e perene.

 

Somos homem e ave

a ansiar,

que a noite escura

nunca chegue.

Ambos queremos

amar o infinito,

E achar

a vida num desejo!