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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Dor da partida

Estou de partida para lugar nenhum

porque aqui não é o meu lugar.

Parto sem procurar mundo algum,

Deixo para trás tudo. Devagar.

 

Foi tempo perdido aquele que vivi

Sob a bela manta de um sonho.

Foi tempo ganho aquele que aprendi

A amar sem saber de onde venho.

 

Dói-me a pura alma e o pobre coração

Por já não saberem sequer chorar,

Mas a dor que carrego na mansa mão

não sabe que destino há-de partilhar.

Triste é…

Triste do homem

Que não escuta seus passos.

Vive enfermo no catre

Ou não se ouve?

 

Triste do homem

Que não escuta a sua alma.

Vive enfermo da tristeza

Ou não se ouve?

 

Triste do homem

Que não escuta o seu coração.

Vive enfermo da desilusão,

Ou não se ouve?

 

Triste do homem

Que não escuta o pisco vadio.

Vive enfermo da amargura

Ou não o ouve?

Peregrinando

De passos permanentes e certos

O silêncio carregado, mas atento

Uma dor potente e presa na alma

A crença viva de sentir a Boa Luz.

 

Mãos estendidas à esperança,

Bordão assente no chão ingrato,

Pensamentos num vôo continuo

A fé a queimar as vãs entranhas.

 

Cada passo é um passo a mais

Para chegar à Santíssima Mãe.

Aquela que acolhe e aceita,

Que ama, cuida, trata e perdoa.

 

As noites sem sonhos nem sono,

Tal a força das emoções vividas

Os dias estivais que aqueceram

O corpo, o sangue e o espírito.

 

Eis-me aqui eis-me ora presente

Após o caminho de celebração

Eis-me aqui dorido e fatigado

De alma repleta e coração pleno.

Amor hoje!

Não chores amor

Eu chorarei por ti!

Secarei as tuas lágrimas

Num lenço de pura seda.

 

Não fiques triste amor

Que a tristeza é coisa vil.

Ri de mim, Ri de ti.

E abraça-me… Só!

 

Não olhes amor.

Tudo o mundo nos vê

Os dedos nos meus assim.

E a paixão a escorrer!

Eu e o mar!

Queria ser o extenso mar,

verde, azul, cinza ou preto.

Doçura e raiva para mostrar,

Malagueiro, manso e quieto.

 

Queria ser como mar revolto

cuspindo som das entranhas

varrer a praia do pó solto

Viver aventuras tamanhas.

 

Sou um ribeiro escorrendo

Por entre pedras desiguais.

Tenho um sonho vendido

àquele que me der mais!

O tempo!

O tempo

é velhaco,

Leva-nos as horas,

os dias,

as semanas.

 

Deixa-nos

Memórias

Tristes umas

Outras…

Já nem o são.

 

O tempo

É vil.

Rouba-nos a alegria

De voltar

A saber amar.

 

Pilha-nos

A alma triste

Do pouco sangue

Que um dia

Encheu o coração.

 

O tempo

é criminoso

Mata-nos sem dó

A esperança

E o sonho.

 

Corta cerce

o velho ardor.

Inunda

as noites

de muitas lágrimas.

Tanto e tão pouco

Queria beijar-te.

Com beijos simples uns

outros molhados.

Quentes os primeiros

Singelos os outros.

 

Queria abraçar-te.

Enlear-te nos meus braços

e apertar até sentir

o teu peito contra o meu

a arfar.

 

Queria amar-te.

Entregar-me assim,

sem condições, desejos.

Ou fugas.

Queria apenas amar-te

 

Mas como sempre,

há um tortuoso caminho,

demasiada tristeza,

um rio que não corre,

uma lua que não brilha.

Escrita a gosto! #1

Desafio de Agosto da Ana

Dia 1- luz da manhã

 

A noite mansa partia agora,

Após longas horas de vela

Não sabia se era dentro ou fora,

A tristeza de ela ser a mais bela.

 

Amava-a tanto e tão pouco

Que queria fugir, desaparecer.

Correr, correr como um louco

Para os seus braços e adormecer.

 

Aquela inebriante luz da manhã,

Sabia-lhe a gloriosas memórias.

Entre fardos, sacos e mantas de lã,

Eles amaram-se por entre estórias.

 

Uma lágrima cristal caiu da mão!

 

Beijos!

Para a minha neta

Beijei-te!

Um beijo simples, suave,

encharcado em carinho.

Tu sorriste inocente.

 

Beijei-te!

Gesto repentino e tão meu,

inundado de ternura ilimitada.

Tu aceitaste como dádiva.

 

Beijei-te!

Quantos mais receberás?

Tão iguais ao meu.

Tu agradeceste com o olhar!

 

Deixa-me beijar-te

até ao infinito.

Pois é, por ti, e até aí

que vai o meu amor!