Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Beijos!

Para a minha neta

Beijei-te!

Um beijo simples, suave,

encharcado em carinho.

Tu sorriste inocente.

 

Beijei-te!

Gesto repentino e tão meu,

inundado de ternura ilimitada.

Tu aceitaste como dádiva.

 

Beijei-te!

Quantos mais receberás?

Tão iguais ao meu.

Tu agradeceste com o olhar!

 

Deixa-me beijar-te

até ao infinito.

Pois é, por ti, e até aí

que vai o meu amor!

Dia Mundial da Poesia

Escuta…

Escuta meu amor!

Sabes o que é este troar?

Este som abafado e doentio…

 

São as bombas

Que caem como chuva,

De um céu negro de esperança

E tristeza.

 

Desculpa ter ficado,

Não partir, não abandonar este país.

Pegar nas armas frias,

E morrer!

 

Um dia escreverás

Um poema em meu nome!

Com lágrimas expostas,

De mágoas infinitas.

Léxico em estado puro!

Vovó, vovó

A gaiata chama.

Queres um popó

A avó oferece.

Tens de fazer um o-ó!

 

Mais tarde é o vovô

Que dá a boa papa.

Mas a menina tem cocó

Ou será somente xixi?

Calcula a titi.

 

Há um miau que é gato

E um ão, ão patudo.

Depois vem o pá de pato

E o piu-piu do passarinho

Falta a tuta de tartaruga.

 

Aprender a falar ou

a dizer o que se sente é duro,

já que as palavras simples

serão apenas sons

de um amante coração.

Dois anos!

O tempo esse guloso de vida

Somou mais um, um apenas

A um outro de alegria vivida,

De manhãs e tardes amenas.

 

Desfolharam-se longos dias

Em que foste dama e rainha.

Desembrulhaste alegrias,

A alma deixou de ser minha.

 

Dois anos de certezas e amor.

De risos e palavras perdidas

Dois anos de gargalhadas e calor

De ternuras jamais escondidas.

 

As tuas doces e quentes palavras

São mel, pérolas doces, macias.

Teus gritos são inocentes loucuras,

Que eu recebo como belas carícias.

 

Será tonto este amor, esta paixão

Por ti quando te pego e te sinto?

Será luz ou simplesmente ilusão

Estas palavras que ora te pinto?

Tempestade

Há na chuva que ora me molha

uma paz,

uma serenidade,

que não consigo entender!

Nem quero.

 

O frio fresco e fortuito enterra-se

na carne,

na alma,

no sangue.

Mas faz-me sentir vivo!

Basta assim.

 

Há um vento brando que

agita,

sacode,

ralha.

Como eu fosse culpado.

Serei?

 

A natureza certamente conspira.

Por mim ou

contra mim?

Poema de saudade

(Porque a Marta Elle nunca desapareceu!)

 

Não sei se me lembrei

ou se nunca te esqueci!

Sei apenas que não moras

entre nós há muito.

 

Rimos muito,

Escrevemos alguma coisa.

Trocámos palavras,

Porque te sabia presente.

 

Hoje és uma memória,

Recordação que se evadiu

Do meu coração

Para me fazer lembrar de ti

 

Poema pobre, este, sem rima

De quem se diz ser poeta.

Pobre escriba que sou

De coração cheio de saudades.

 

Tuas!

Quadras à sexta!

Bom fim de semana Ana!

Hoje apetece-me escrever

Uma quadra simples, daquelas.

Estarei eu louco ou a antever

Sarilhos, guerras ou só mazelas.

 

Tenho alguns dias assim, curiosos

Carregados de lamúrias ou tolices

São momentos pesados, onerosos

Cheios de bom humor e parvoíces.

 

Também é preciso para animar

As manhãs, tardes, noites enfim.

Um pouco de luz e quiçá amar

Aquele desejo que há em mim.

 

Termino esta semana rimando

Quiseram elas, palavras tontas

Por aqui vou ficando e brincando

Em crente busca de novas contas.

O Mundo a teus pés!

No teu belo cabelo

Há ondas de amor e perfume.

Onde tantas vezes surfei e caí.

 

No teu rosto alvo

Há hoje traços de vida, fundos,

Dos trilhos que palmilhaste.

 

Nos teus olhos vivos,

Há a esperança de um sonho

De viveres outras realidades.

 

Nos teus rosados lábios,

Há ainda um sorriso latente

À espera de novos segredos.

 

Nas tuas mãos dormentes,

Carregaste a fúria de uma vida

Crente que tudo pararia sem ti.

 

Nos passos apressados,

Procuras a alegria da vida,

Que foge célere à tua frente.

 

És um corpo em forma de mundo!

Fado!

Há um fado só e triste no meu coração

Que não sabe cantar as minhas dores

Foge e esvai-se por entre a minha mão,

Como água fria entre sonhos e amores.  

 

Há um fado só e triste na minha vida

Que deseja ser força, amor e canção.

Dor pra ser cantada, chorada, sofrida.

Num fado tangido por uma emoção.

 

Há um fado nos meus lábios a bailar

Conta histórias de amores perdidos.

Não sei o que ele quererá ora falar,

Talvez um assomo de olhos sofridos.

 

Há um fado há, neste tempo triste,

Contam-me que sou o poeta da dor.

Porque escrevo assim, tu já me viste,

A escrever, a ler e a chorar por amor!