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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Eis-me!

Olho o caminho recto e cinza

entre muros de pedras soltas

temo não seguir os meus passos

à aventura das descobertas.

 

Há no horizonte folhas caídas

de um Outono bem próximo.

Tempos assaz estranhos de

dilemas, dúvidas e incertezas.

 

Sinto no pobre coração frágil

a dor férrea de uma tristeza,

o grito lancinante da revolta

a lágrima singela e chorada.

 

Dias virão mesmo assim,

mornos, mansos, velhacos.

Arrebatam de mim ardores

Bravatas certas e perenes.

 

Na verdade... na verdade

não sei ser de outra forma.

Sou assim completamente

total, animal e quiçá fatal!

O grande silêncio!

(A Ennio Morricone)

Era uma vez no Oeste

e uma música serena,

Que por um punhado de dólares

fizeste outra cantilena.

 

Foste bom, mau e vilão,

naquele final apoteótico.

E por mais alguns dólares

encontraste o tom melódico.

 

Foi tua a enorme missão

de dares ao cinema alma,

Serão para sempre intocáveis

as mãos repletas de calma.

 

Viveste no cinema paraíso

momentos aureos, roucos.

Agora o teu nome é ninguém

mas os teus tons loucos .

 

Aguenta-te grande Ennio

Neste teu novo caminho.

Porque nos dias do Paraíso

Viveras num remoinho!

 

De que serve agora agradecer?

Saudades

Sinto hoje a saudade

De um pequeno almoço sereno.

Do perfume do pão quente,

Do aroma de um café moreno.

 

Sinto hoje a saudade

De um abraço assim de repente,

Recheado de ternura e encanto,

E de um simples beijo quente.

 

Sinto hoje a saudade

Das minhas gargalhadas sonoras

Que sempre adorei alcançar

e dos almoços fora de horas.

 

Sinto hoje a saudade

De outros tempos passados.

Entre brincadeiras e alegrias,

E sonhos jamais desvendados.

 

Sinto hoje a saudade,

De ser eu… somente!

Ontem, hoje e amanhã

Ontem fui um curioso e travesso menino,

De riso fácil, franco, sonoro e contagiante.

Ontem fui um jovem arisco e sem tino,

De ideia torta, teimosa e alarmante.

 

Hoje sou já um simples e triste velho

De riso fácil, franco, sonoro e contagiante.

Hoje sou um bizarro e arrogante relho,

Todavia ainda de sonho esfuziante.

 

Amanhã serei uma mera lembrança,

Do riso fácil, franco, sonoro e contagiante.

Amanhã não serei mais que uma criança,

Sem chama, sem cor, sem brilho de diamante.

Do baú... #5

Cinquenta anos, cinquenta palavras

 

Foram as palavras que nos aproximaram,

Os ruídos que nos ameaçaram,

Os desejos que se revelaram.

 

Brotaste ao mundo novas vozes,

Flores regadas com lágrimas e suor.

Obras-primas de noites tórridas.

 

Ora, cinquenta palavras passadas,

Não há tempo para lembrar o passado.

Unicamente para te amar.

 

Amadora, 11 de Maio de 2007

Do baú... #3

Aos meus filhos

 

Quarenta noites de vigília,

Para o amanhecer mais tardio.

Quarenta dias de sonho,

Desmaiados num mar bravio.

 

Quarenta ladrões fugindo

Da natureza, sua mãe, também

Quarenta cestos empunhados

Gritando loas a ninguém.

 

Quatro abraços num só,

Parte de um mundo novo.

Quatro esperanças renascidas

Num grito que é do povo.

 

Quatro flores desabrochando

Em pétalas sempre luminosas

Quatro nós bem apertados

Em lindas casacas sedosas.

 

Um momento só…

Chega para se ser feliz.

 

Amadora 26/02/1999

Do baú... #2

Foram anos, semanas, dias,

Virados para o poente da vida

Onde noites bem quentes e frias

Criaram uma guerreira desta vida

 

Quantas lágrimas caíram...

Nessas mãos arrebatadoras!

Quantos gritos se calaram...

Entre vontades ameaçadoras

 

Ser poeta não é quem escreve

Mas aquele que nunca mente.

Pois o único amor que não trave

O desejo, a força e a paixão que sente.

Do baú... #1

Introdução:

Durante muitos e muitos anos foi rabiscando uns textos em blocos, cadernos ou até alguns foram escritos à máquina de escrever. Hoje comecei a recuperar alguns desses textos. A maioria são pedaços tristes, mal escritos e a requererem revisão. Mas prefiro deixá-los assim (quase) como o original. Chamarei a esta rubrica "Do baú..." e inicio com um pequeno e pobre poema que já não me lembrava de ter escrito mas que agora faz todo o sentido.

 

Sementes

à Maria, mãe dos meus filhos

 

Ontem entre a tarde e a noite

Lançaram-se as sementes à terra

No solo fértil, gracioso e generoso

E as dúvidas fecundaram certezas

 

Hoje as flores são já árvores

Ainda de tronco frágil e inquietante

Procuram protecção nos teus ramos

Acham vendavais nos ventos

 

Amanhã serão frondosos pinheiros

De frescas sombras e odores perfumantes

Um dia cairão novas sementes à terra

E tu serenamente verás novas flores.

 

Amadora 1990

Aquela cor!

Descanso a cabeça

Numa doce almofada

Insuflada

De ínclita esperança.

Cubro-me

Com cobertores de alegria,

Lençóis alvos,

E frescos de risos.

 

Sopro por fim

Na vela que a alma

Pobre, ainda vai mantendo

Quente e acesa.

 

É a vez de a noite,

Semear um silêncio,

Prenhe de fantasmas

E lícitas dúvidas.

Para acordar suado

De vontades e sonhos,

Miríades de luzes

E mansas realidades.

 

Mas há sempre

Um sol por detrás

Da montanha inerte

Que trás vida e cor!

 

É um novo dia,

Que somo

A tantos outros

Já lavrados

Nas minhas mãos.

Ora não busco fortuna

Nem lágrimas salgadas.

Nem dores ou fulgores.

 

Apenas percebo

Que no céu imenso,

Há uma outra cor

Que não sei distinguir!

O que é o amor?

O que é o amor?

Li eu algures

Num compêndio de ideias.

A dúvida formulada,

A pergunta assumida,

A fórmula mágica!

 

O que é o amor?

Penso eu sozinho,

Numa daquelas noites de alertas.

A questão dói,

O pensamento duvida

A alma voa.

 

O que é o amor?

De mãe, de pai,

De avó, de avô.

De filho e irmão,

Dos apaixonados.

 

O que é o amor?

Senão um lampião

Na floresta escura,

Um brilhante fanal,

No mar tenebroso,

Uma lava incandescente.

 

O que é o amor?

Será simplesmente....

Um brilho no olhar,

Uma mão que treme,

Um coração que explode,

Uma madrugada fresca.

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