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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Poema de saudade

(Porque a Marta Elle nunca desapareceu!)

 

Não sei se me lembrei

ou se nunca te esqueci!

Sei apenas que não moras

entre nós há muito.

 

Rimos muito,

Escrevemos alguma coisa.

Trocámos palavras,

Porque te sabia presente.

 

Hoje és uma memória,

Recordação que se evadiu

Do meu coração

Para me fazer lembrar de ti

 

Poema pobre, este, sem rima

De quem se diz ser poeta.

Pobre escriba que sou

De coração cheio de saudades.

 

Tuas!

Quadras à sexta!

Bom fim de semana Ana!

Hoje apetece-me escrever

Uma quadra simples, daquelas.

Estarei eu louco ou a antever

Sarilhos, guerras ou só mazelas.

 

Tenho alguns dias assim, curiosos

Carregados de lamúrias ou tolices

São momentos pesados, onerosos

Cheios de bom humor e parvoíces.

 

Também é preciso para animar

As manhãs, tardes, noites enfim.

Um pouco de luz e quiçá amar

Aquele desejo que há em mim.

 

Termino esta semana rimando

Quiseram elas, palavras tontas

Por aqui vou ficando e brincando

Em crente busca de novas contas.

O Mundo a teus pés!

No teu belo cabelo

Há ondas de amor e perfume.

Onde tantas vezes surfei e caí.

 

No teu rosto alvo

Há hoje traços de vida, fundos,

Dos trilhos que palmilhaste.

 

Nos teus olhos vivos,

Há a esperança de um sonho

De viveres outras realidades.

 

Nos teus rosados lábios,

Há ainda um sorriso latente

À espera de novos segredos.

 

Nas tuas mãos dormentes,

Carregaste a fúria de uma vida

Crente que tudo pararia sem ti.

 

Nos passos apressados,

Procuras a alegria da vida,

Que foge célere à tua frente.

 

És um corpo em forma de mundo!

Fado!

Há um fado só e triste no meu coração

Que não sabe cantar as minhas dores

Foge e esvai-se por entre a minha mão,

Como água fria entre sonhos e amores.  

 

Há um fado só e triste na minha vida

Que deseja ser força, amor e canção.

Dor pra ser cantada, chorada, sofrida.

Num fado tangido por uma emoção.

 

Há um fado nos meus lábios a bailar

Conta histórias de amores perdidos.

Não sei o que ele quererá ora falar,

Talvez um assomo de olhos sofridos.

 

Há um fado há, neste tempo triste,

Contam-me que sou o poeta da dor.

Porque escrevo assim, tu já me viste,

A escrever, a ler e a chorar por amor!

Perdido!

Mais uma resposta ao desafio da Ana.

 

Gostaria de escutar outra vez o mar

E sentir nas faces sua força pujante.

Encharcar-me de sal e poder sonhar

Como a gaivota no seu voo rasante.

 

Quero ouvir-te chamares por mim,

Eu que te amei sem saber quanto.

Abraçar-te num amplexo assim,

Repleto de risos, alegria e pranto.

 

Eis este escriba de insonsas palavras

Carregadas de tristeza, derrota e dor.

É hora de partir para joviais lavras

Mas falta-me o sol, a luz e o amor.

 

Saio de mansinho para a noite, só

Em busca do verdadeiro sentido.

Reconheço o trilho sinuoso e o pó

Deixai-me finalmente: estou perdido.

Entre o ar e o mar

Calculas quanto há de amor 

numa mão estendida à dor?

 

Imaginas quão brando é o coração

que ama sem sofrer de paixão?

 

Sabes como dorme o pensamento

de quem vive sempre o momento?

 

Que caminhos percorrem os sonhos

quando não há outros testemunhos?

 

As respostas pairam talvez no ar

ou quem sabe nas ondas do mar!

Nostalgia

Fosse eu poeta e trovador

De canções de belo cantar

Trovaria sobre paixão e amor

Liberdade, odes de encantar.

 

Lancei à terra dos sonhos

Esperanças de novos dias.

Colhi frutos tão tristonhos

Incertezas e noites frias.

 

O mundo não me chorará

Na noite em que eu partir

Pois a vida não se ensaiará

Do meu passado também rir.

 

Não importa as lágrimas

que choro sempre sozinho.

São de uma vida pérolas,

Que ensinaram o caminho.

Vagueando!

Vai, voa,

Alcança o anil acolchoado.

Brancas almofadas

onde te escondes.

 

Vai, voa,

Abraça vento e o Sol.

Trilhos simples,

Sem dor nem cor.

 

Vai, voa,

Não olhes para trás.

Não busques,

Apenas aceita.

 

Vai, voa,

E traz-me notícias.

De mim,

do mundo.

 

Vai, voa.

Diz ao futuro incerto.

Que estou prestes

A chegar!