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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Ainda o Outono...

 

(Como prometi  José. Aqui fica com carinho e amizade.)

 

Nas nuvens, que a chuva prenunciam

e nos acessos de vento desmedidos

vê-se o alterar do tempo,

como em nós ele passa lento

e vai deixando sulcos na pele

regados por lágrimas, que como cinzel

nos modelam a face...

 

Nos lembram dos dias, que já passados

faltam menos para contar...

E isso, que importa?

Quando cá dentro, a idade, não conta

mas uma criança a pular,

de poça em poça, em pingos tão grossos,

sem ter medo de se molhar.

 

Nua, simples, ou atribulada

a vida que gostas, não dá trégua, ou escolha

terás que atrever-te, a viver

entre ventos que sopram, gotas que caem

raios de sol que te afrontam,

mas que te beijam também... Uma certeza terás.

Vais vencer. Porque tem de ser. Cada dia, que sem temer, à vida te dás. 

 

(Muito obrigado pela companhia e pelo ser humano bom que és)

 

Fátima soares/Verniz Negro

Lágrimas de outono

(mui simbólica homenagem a Verniz Negro, pela paciência e sapiência)

 

Gosto destes dias de chuva que aplacam a ferocidade

De um sol demasiado tardio inundando um imenso verão.

 

Gosto de sentir a água fria como de fonte se tratasse

Jorrando do céu plúmbeo a vida em límpidas gotas.

 

Gosto do silvo sibilante do vento debaixo da fresta

Traz-me novas do outono feito de castanhas e vinho.

 

Gosto sim de me molhar e perceber no ar revolto

O perfume da terra molhada a pedir fria enxada

 

Gosto de ti simples, nua, como tu vida sabes ser.

Outono na minha vida

 

(para a Maria de Fátima, com amizade)

 

Sinto o outono da vida nos ossos

Como um cão que ferra o dente.

Sinto o Outono da vida nos dias,

Como o vento que agita a copa.

 

Sinto o Outono da vida nos passos,

Como roda rangendo nos caminhos.

Sinto o outono da vida nas mãos,

Como uma deformada artrose.

 

Sinto o Outono da vida nas noites,

Como mantos negros de tristeza.

Sinto o outono da vida na voz

Como falcão percebendo a presa.

 

Sinto o Outono da vida nos sonhos,

Mas há muito que deixei de sonhar!

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