Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

"El sueño" de Frida Khalo

Resposta ao desafio da Fátima

 

Sonhei que tinha morrido.

Agora que estou de novo acordada, queria demais que o sonho fosse realidade.

Sonhei que tinha partido.

Neste momento em que olho para esta cama que me detém, queria sublimemente que aquele fosse verdadeiro.

Há quase trinta anos que descobri que tinha esclerose múltipla. Comecei por coxear, depois canadianas, mais tarde cadeira de rodas para agora aqui estar imóvel, a sonhar a todo o momento que a doce negra me leve e deixe, por fim, descansar quem cá fica.

Sei, no entanto, que ela paira algures por aí. Pode dormir comigo aqui a meu lado ou no beliche de cima, todavia ainda não teve a ousadia de me levar. Preciso outrossim de paz, necessito que aqueles que me rodeiam repousem destes anos de amarguras.

Porque eu…. eu já fui o que não sou agora. E sempre acreditei no milagre de uma suposta cura... Triste e pobre crença.

Sonhei que corria.

Para perceber que as minhas pernas hoje são mais empecilhos que alegrias. Que os meus braços são mais cepos que força.

Sonhei finalmente que vivia.

Morrendo!

 

No desafio Arte e Inspiração, participam Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, Charneca em Flor,  ConchaCristina AveiroGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe FritoSam ao Luarsetepartidas

Poema de saudade

(Porque a Marta Elle nunca desapareceu!)

 

Não sei se me lembrei

ou se nunca te esqueci!

Sei apenas que não moras

entre nós há muito.

 

Rimos muito,

Escrevemos alguma coisa.

Trocámos palavras,

Porque te sabia presente.

 

Hoje és uma memória,

Recordação que se evadiu

Do meu coração

Para me fazer lembrar de ti

 

Poema pobre, este, sem rima

De quem se diz ser poeta.

Pobre escriba que sou

De coração cheio de saudades.

 

Tuas!

No meu jardim

Para ti Zé 

No pobre jardim,

que é a minha vida

Tu eras a flor,

mais alegre, viçosa.

Entre tantas

que por ali floriram

Foste sempre a pétala,

Mais brilhante.

 

Hoje és a saudade,

A lágrima tombada,

A tristeza de te ver

Ora partir.

Foste a certeza

Duma amizade.

Refém da pureza,

Presa no coração.

 

Partiste cedo demais

Pois que a hora foi

estranha, incerta.

Vai, vai companheiro

Abraça a barca,

De uma paz merecida.

Um sono eterno,

brando, mas atento.

 

Oh, quanto de mim,

Chorará… para sempre.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.