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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.


Domingo, 09.09.12

Sentido dos dias – Medo XXVI

 

Já sentado na cadeira no avião rodeado por muitos passageiros, Pedro sentiu pela primeira vez medo. Mas não era igual ao que sentira muitos anos antes no meio do mato, aguardando escondido que o inimigo se revelasse. Este era um receio bem diferente. Assim que tomou consciência do que estava prestes a fazer, um arrepio atravessou-o de cima a baixo. Um gosto amargo subiu-lhe à boca e as mãos suavam como se estivesse num deserto.

Olhou àsua volta enquanto passageiros continuavam a entrar e arrumar sacos e malas nos compoartimentos por cima das cabeças. A seu lado uma jovem, já instalada, abria um livro e lia, completamente indiferente ao movimento dos passageiros que chegavam.

Da escotilha vedada Pedro podia ver a azáfama que o pessoal do aeroporto tinha para com o avião. Eram malas e mais malas que chegavam, cabos, tubos, um manancial de coisas que Rafael desconhecia completamente que fossem necessários para colocar o avião a andar. Ao longe viu o céu azul… O mesmo onde dali a uns minutos estaria a embrenhar-se.

A mulher recusara-se a ir com ele ao Aeroporto. Ficara em casa, lavada em légrimas. Fora a filha que o trouxera às Partidas da Porteta. Ajudou-o com o carro para colocar a mala e largou-o à entrada, dizendo:

- Pai… Vai e volta bem, sim?

- Claro minha flor. Em breve estarei  de volta.

Dois beijos trocados e ainda teve tempo da filha desaparecer no carro. Estava agora sózinho, entregue a si próprio, numa viagem que não sabia o que iria dar. Mas tinha de a fazer, viver ou morrer em paz…

Na banco da frente dois miúdos lutavam por um lugar à janela e foi a mãe que duma forma autoritária impôs disciplina. Sossegaram finalmente e Pedro pode novamente passar os olhos pelo interior do avião e procurar algo que o serenasse.

O avião deu um esticão, finalmente deslocava-se. Ainda era no alcatrão mas dali a uns instantes seria no ar… E de súbito Pedro teve vontade de sair dali, fugir, regressar ao aconchego do lar… Porém agora seria totalmente impossível. Viu os carros na segunda circular a movimentarem-se em passo lento devido ao engarrafamento, percebeu uma quantidade de prédios ao longe, mas tudo, tudo assente num medo que quase não sabia esconder. Alguém então falou. Era o comandante que dava as boas vindas e desejava que todos fizessem boa viagem. A seguir os comissários de bordo fizeram uma pequena demonstração quanto aos coletes de salvação…

- Mas para que quero aquilo? – perguntou a si próprio.

A questão ficou sem resposta… Mas fez o possível por manter a tenção. A jovem companheira de viagem nem ligava, tantas seriam as vezes que ouvira aquele discurso. A avião parara agora. Pedro apenas continuava a reparar nas casas e no que o horizonte lhe podia ofertar.

Um esticão e o aeroplano arrancou comno se estivesse numa corrida. Ganhou velocidade de tal forma que as linhas de amaraelo pintadas no alcatrão negro passavam velozmente.

- Será agora?

Uma sensação estranha tomou-lhe todo o seu corpo… Olhou o chão e viu que ele se afastava cada vez mais. A cabeça encostada, as mãos apertadas uma contra a outra, uma muito breve náusea a formar-se na boca do estômago. Os dentes rangiam tal era a força que Pedro fazia. Depois fechou os olhos e tentou repousar… acima fde tudo o espírito.

A passageira ao seu lado levantou os olhos do livro e reparando na palidez de Pedro logo perguntou:

- É a primeira vez que viaja de avião?

O alafarrabista nem sabia o que dizer. Para ele até falar podia prejudicar o vôo. Finalmente percebeu a patetice em que entrara e respondeu com a maoir calma possível:

- Por acaso é… Nota-se muito?

- Nota! – e riu-se.

A avião continuava a subir. Rafael olhou pela janela e aquilo que minutos antes eram enormes edifícios não passavam que pequenos pontos. Depois sentiu a curva e finalmente o mar. Os azuis juntavam-se duma forma que Pedro jamais esqueceria…

A jovem fechou o livro e perguntou-lhe:

- É a primeira vez que vai a Angola?

A pergunta era inocente, mas o alfarrabista teve medo de responder a verdade. Optou por uma resposta que contentasse a outra:

- De avião sim!

- Acredito que vai gostar…

A resposta dera resultado. Só que a conversa não ficou por ali. A jovem começou a falar até que finalmente desculpou-se:

- Sabe Angola é um vício… Quem lá vai, fica lá… refém. Entende?

Pedro nem sabia o que dizer. Todavia respondeu:

- Entendo e de que maneira…

O medo desaparecera!

 

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por José da Xã às 07:16

Quarta-feira, 30.05.12

Trilhos Privados XXII - Locais estratégicos

 

Francisco observou bem o rapaz antes de ele entrar no carro. Alto, esguio, trajar normal para a idade. Cabelo negro, pele cara, olhos azuis. Alargou a sua observação ao carro. Um fiat punto preto, bem estimado, que pôs a circular com prontidão. Quando ele passou a pouca distância olharam-se. O rapaz fez um trejeito de sorriso, pelo vidro meio aberto atirou-lhe, um "bom, dia!". O que o surpreendeu.

"Ora, ora!" Por aqui o seu "faro" apurado dizia-lhe que era alguém habitante das redondezas. A quase naturalidade de movimentos e a saudação espontânea, deixaram Zeca de certo modo satisfeito. Não a desenvolver imediatamente "cenários obscuros" na sua mente habilitada e habituada. Por isso meteu-se na sua viatura também, olhando o relógio.

- Sete da manhã!- Disse para consigo, estendendo as considerações." Coitada da irmã, levantava-se tão cedo, quase de madrugada e ele ainda ficara a entretê-la enquanto se movia entre tabuleiros, leite, bolo, louças e mais sabe-se lá o quê." Mas adorava conversar com ela enquanto a via aprimorar tudo. E eram tão poucos esses momentos.  Arrancou finalmente, rumo ao Estoril poucos minutos depois.

Nesse instante Célia acordava, de uma noite mal passada e em sobressalto, com o som do rádio despertador que apontava as sete horas da manhã. Anunciava as notícias de seguida por entre um minuto de publicidade. A rapariga ergueu-se dorida, birrenta e espreguiçou-se. Foi direita ao armário e escolheu a roupa para vestir. De seguida entrou na pequena casa de banho do seu quarto e fez a sua higiene diária, recapitulando de memória, os passos e aulas desse dia. Ah! E a ida ao gabinete da direcção, devido ao cacifo. "Merda!" Pensou enquanto escovava os dentes e ouvia a voz do locutor intervalada, com a da colega, a desfiar o rol de misérias diário. Mais um cismo na Itália. Mais crise. A troika. E... Estava a acabar de se vestir, quando:

"A polícia foi chamada esta manhã ao Estoril Palace, a fim de desvendar um terrível homicídio ocorrido pela madrugada naquele local." - Dizia ele. Ao que a colega acrescentava... "O cidadão de origem asiática há pouco no nosso país em missão..."

Célia não ouviu mais nada! Saiu disparada do quarto, correu escada abaixo entrando na cozinha, quase derrubando Genoveva que acabara de põr o pequeno almoço na bandeja, para o levar a ambas. Sabia que uma das primeiras coisas que a governanta fazia, era acender a televisão para "companhia" como ela costumava brincar e foi lá que as duas viram a notícia em pormenor.

Os paramédicos recolhiam o corpo. A brigada especializada colhia amostras no local, para análise. A jornalista, uma Deolinda qualquer coisa, falava e falava...Além de entrevistar os que teriam visto o morto, pela última vez! Mas o que paralisou Célia  foi a foto de Heng no canto superior direito do ecrã, para lá de toda a definição sobre o homem e o motivo pelo qual estava em Portugal.

- Não! Não pode, ser. Ele não seria capaz de tanto. Não acredito. Como é que...

Genoveva viu o desespero. O pavor estampado no rosto da "miúda". Mais que nervoso misturado, aquilo já não era reacção de quem não sabia mais do que... E foi quando ela mesmo reparou.

- Mas... Alto, lá! Aquele não é o teu... Meu, Deus Célia! Quem é aquele homem?

A jovem desatou a chorar. Balbuciava, quase incompreensivelmente, que teria muita coisa a esclarecer com ela e a mãe, mas... Mais tarde. As aulas começavam às oito, tinha de se despachar. Enfrentar um dia longo e árduo. Forçosamente... Gui! Se ao menos pudesse contornar Genoveva e a mãe! Alguma explicação plausível que não as deixasse tão reféns do medo e da desilusão, sobre o seu comportamento último, como ela própria estava. Saiu da cozinha sem ouvir os reparos da mulher que a alertava que nem tinha comido. Subiu os degraus, a dois de cada vez e entrou no quarto para buscar os livros, a mochila e... O telemóvel tocou. Gui! Toda ela abanou.

"Então que me contas das notícias? Foi uma terrível perda, não achas? O teu amiguinho, tão galanteador. É sempre assim! Nunca tomam atenção no que se metem, depois acontece o pior. Coitado! Não sabes como lamento, a tua perda querida..."

"Cínico. Filho da p... Maldito!" Quis gritar-lhe. Bater-lhe. Erradicá-lo da sua vida. Do planeta, para sempre! Mas infelizmente não podia fazer nada contra ele. De repente o pensamento saltou-lhe para Ricardo e desabou. Ficou de rastos, ao cair no chão de joelhos a soluçar.

- Ele, não! Por favor... Fazei que este anormal não lhe faça mal. Ele não tem culpa. Sou eu. Só eu e...Não suportaria perdê-lo.

Depois da noite passada numa badalada festa, Gui acordara no seu apartamento como sempre ao lado de alguém. Desta vez ela não era uma miúda qualquer que encantasse. Nem uma das outras que já pusera a "circular"...Mas uma mulher casada! "Quarenta e cinco anos de experiência. Um colosso de mulher...Tinha sido das melhores quecas daquele mês!" Cogitava. "Uma noite memorável entre copos, sexo escaldante e alguma droga. Uma mulher assim, ficava a anos luz das "pitas" novas. Sabia o que queria. Deu e...Teve!" Riu trocista. Voltou a mirar-lhe o corpo nu, ainda adormecido e exclamou: Um mimo! Unindo os dedos e beijando-os. "Gaita! Tinha de perder aquele tique..." Nu, também, ligara a Célia reprimindo ao máximo a vontade de virar o ecrã para a cama. Ilustrar, abundantemente a sua noite, exibindo o seu "irrefutável" álibi! E uma vez que ainda era cedo, porque não? Voltou a deitar-se. Começou a beijá-la, lentamente. A acariciá-la primeiro ao de leve, aqui, ali e depois... Mais intimamente. Ela gemeu. Virou-se para o encarar a sorrir.

- Que horas, são?

- Cedo! Tão cedo... querida. Temos muito tempo até ires buscar o teu marido ao aeroporto. Aproveita cada minuto, princesa!

E sem perder tempo afastou-lhe as pernas e introduziu-se nela.   

 

Verniz Negro

 

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por José da Xã às 15:38

Segunda-feira, 28.05.12

Trilhos Privados XX - Medo

O dia fora extenuante. Os acontecimentos na sua vida precipitavam-se a uma velocidade supersónica. Sempre sonhara em ter uma vida cheia, mas aquilo fora demais… A sua beleza natural sempre atraíra muitos rapazes, como a luz atrai os insectos. Mas a maior partes deles eram uns idiotas convencidos, aramados ao “pingarelho”, com a mania que sabiam tudo sobre as mulheres. Mas Célia, mais por defeito do que por feitio, ligava pouco aos imberbes dos seus colegas, sentindo-se claramente mais à-vontade com jovens mais velhos. A doença prematura do pai, bloqueara-lhe todas as possibilidades de sair do País em viagens de férias. Mas por outro lado odiava parecer que não conhecia nada. Assim Célia desde muito nova, fazia apontamentos sobre viagens de sonho que nunca realizou. Se muitas das suas colegas lhe invejavam a beleza e a formosura, Célia, em silêncio, invejava-lhes a liberdade. E para que nunca duvidassem dela, assumia sempre uma postura arrogante e maior parte das vezes um olhar distante, como quisesse dizer que não era falsa… O problema é que de vez em quando, Célia acabava por entrar em contradição entre o que contara tempos antes. Nessa altura assumia aquele seu ar de menina empertigada e acusava em tom alto:

- Estás, a chamar-me mentirosa’?

As outras encolhiam-se  e acabam por aceitar a versão de Célia. Ou como dissera certa altura uma das suas poucas amigas: vencida mas não convencida! Mas a vida em poucas horas dera-lhe alguns ensinamentos, que muita gente demora a receber e a entender. Célia percebeu que não era dona da sua vida. Estava presa a um tipo, que sem dó nem piedade a queria em esquemas esquisitos, que ela jamais imaginara que houvessem, quanto mais ser ela uma referência naquele momento. Pensou então em Ricardo e na forma como ele a defendera. Mas primeiro como a recebera no carro: distante e quase mudo. Mas parecia ser um rapaz às direitas. Trabalhador e estudante, era (devia ser) um exemplo para ela. Mas faltava qualquer coisa. Não era charme, que isso tinha com fartura e beleza, também não, pois Ricardo era muito bem-parecido. E se começava a gostar dele... Célia, no seu quarto repleto de figuras de artistas de qualidade duvidosa, olhava o firmamento negro salpicado por pontos brancos. Depois uma série de questões vieram-lhe à cabeça de forma pateta:

- e se Ricardo não fosse quem era?

- e se ele estivesse conluiado com Gui

- e se…? E se… ?

Nem sabia o que pensar e pior, muito pior, em quem confiar… A sua ganância em tentar ser alguém, que não era, trouxera-lhe um sem número de dissabores. E o medo? Aquele sentimento que lhe fazia gelar as mãos em segundos… A jovem órfã, deitada na sua cama, desviou o olhar do céu e optou por um quadro que se encontrava na parede ao fundo da sua cama e onde podia ler:

- Carpe diem

Em voz alta traduziu:

- Goza o dia…

De súbito ouviu dois toques na porta do seu quarto:

- Quem, é?

- Sou eu, a Genoveva. Venho trazer-te um copinho de leite quente. Hoje quase nem jantaste…

Encaminhou-se para a porta e escancarou-a:

- Entra, minha amiga…

A governanta abriu a boca num sorriso. Em tantos anos, fora a primeira vez que Célia a tratara com tanta familiaridade e afecto. Uma evolução que pareceu positiva. Podia ser que o choque da morte do pai tivesse acordado Célia para a realidade do mundo. Colocou o pequeno tabuleiro em cima da mesa  e despediu-se:

- Até amanhã, riqueza…

- Até amanhã, Genoveva. Dorme bem.

Genoveva saiu e fechou a porta atrás de si. Célia levantou-se da cama e agarrou a caneca de leite morno. Foi beberricando e pensando em como poderia mudar a sua vida e a dos que a rodeavam. De repente o telemóvel tocou. Pensando que fosse Ricardo correu para o aparelho. Mas não conheceu o número. Por isso deixou tocar até que desistissem. Aquilo também não era hora para telefonar a ninguém. Só se…

No momento seguinte um sinal sonoro diferente no telemóvel, do toque de chamada, avisou-a de mais uma mensagem recebida. O número parecia ser o mesmo da chamada. Mas ao ler o texto, ficou sem pinga de sangue. As suas mãos gelaram ao mesmo tempo que um ligeiro fio de suor lhe escorria da têmpora. Leu em surdina como se não acreditasse:

- Amanhã muito cedo terás uma surpresa. Bico calado, se fores abordada! Ou então as fotos na “net” e nos jornais serão uma realidade. A decisão é tua! Gui

 

José da xã

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por José da Xã às 00:13

Domingo, 20.05.12

Trilhos Privados – XIII Ameaças

Quando desligou o telefone Augusto Nunes estava irritadíssimo. A desculpa dada por Heng Yong fora demasiado vaga. Custava-lhe compreender como é que o chinês ainda não comunicara aos seus patrões o teor da reunião do dia anterior.

- Isto não me cheira bem. Este sacana anda a preparar alguma – disse para consigo.

Entretanto voltou a pegar no telemóvel, buscou um número e ligou:

- Vicente? Olá bom dia, é Augusto.

- Ora, viva! O que é que se passa? Para me estares a ligar é porque necessitas de mim para alguns dos teus trabalhos…

- É verdade Vicente… Tenho aí um gajo, que creio, que me está a fazer a folha. E eu preciso de saber o quê…

- Quem é?

- Bom não quero falar por telefone. Podes vir ao meu escritório?

- Posso claro! A que horas?

- Já!

- Então dá-me meia hora que eu já aí apareço.

- Obrigado.

Durante esse tempo de espera Augusto foi fazendo outras chamadas tentando amenizar os seus clientes quanto ao andamento das reuniões. Todavia faltava o mais importante, aquele que lhe pagaria uma pequena fortuna. Havia no seu íntimo um temor quanto ao fracasso das conversações. Estavam milhões, muitos milhões em jogo. E a ele apenas caberia uma infinitésima parte desse valor. E mesmo assim era muito.

Tocaram à porta. A secretária foi abrir. Finalmente Vicente entrou no gabinete. Este era um homem já com alguma idade. Do alto do seu metro e oitenta e algumas arrobas de peso Vicente até parecia um homem afável. Estendeu a mão gorda e sapuda a Augusto que o cumprimentou afavelmente.

- Obrigado Vicente por vires tão depressa.

- Conta-me o que queres de mim e depressa que tenho alguém à minha espera…

Era conhecido o gosto de Vicente por mulheres bonitas. Augusto percebeu a deixa e avançou:

- Há um tipo chinês que se encontra em Portugal para negociar aí umas coisas. Ontem saiu da reunião como estivesse com medo de alguma coisa e hoje de manhã telefonou-me a dizer que não podia vir à reunião por não ter informação dos patrões. Ora eu não acredito…

- Mas tens alguma razão para desconfiar dele?

- Até agora não, mas deixou-me com a pulga na orelha aquela saída assim…

- E o que é que queres que eu faça?

- Que o sigas a ver se ele se reúne com mais alguém… Eu preciso saber pormenores. Tratas-me disso?

- Claro e onde é que ele está hospedado?

- No Estoril Palácio…

Vicente deu um assobio e declarou:

- Esse menino trata-se bem…

- Pois, isso não me interessa. Só quero saber os passos dele…

Assim que Vicente saiu do escritório, Augusto respirou fundo e ligou novo número no telemóvel. Enquanto chamava deu meia volta à cadeira e ficou a olhar a paisagem que dava para a A5 e para a mata de Monsanto. À esquerda viu a ponte sobre o Tejo repleta de trânsito que vinha da outra banda.

Atenderam:

- Está, fala Augusto Nunes, tenho necessidade urgente de falar com o seu patrão… Ele que me ligue assim que puder. Obrigado.

Mal desligou foi a vez do seu telefone tocar. Viu o nome do visor e sorriu:

- Bom dia, como está? Foi rápido…

- Que me quer?

- É sobre aquele negócio dos chineses…

- Mas isso não está já resolvido?

- Ainda não. Tivemos ontem uma reunião que terminou abruptamente e pensámos em ter outra hoje de manhã mas o comanditário adiou… Não sabemos o que passa naquelas cabecinhas amarelas.

- Você está a ser pago para resolver os problemas e não é tão pouco como isso…

- Eu sei, eu sei… – consentiu Augusto numa voz de quase subserviência.

- E mais, o governo está muito empenhado em resolver esta situação rapidamente.

- Estou a fazer o melhor que posso e sei. Apenas queria que ficasse com conhecimento de como estão a decorrer as negociações.

- Acho bem, mas o tempo urge…

Desligaram! Augusto coçou a cabeça…

 

José da Xã

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por José da Xã às 23:02


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