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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.


Sexta-feira, 18.10.19

Desafio de escrita dos pássaros #6

Mote: "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"

 

Estava tão embrenhado na revisão dos textos que acabara de escrever para o jornal que nem deu pelo telemóvel tocar, principalmente por aquele estar sem som. Eram quase 22 horas de uma sexta-feira invernosa.

Lá fora a chuva, sempre tão escassa, caía em torrentes quase diluvianas e o vento ajudava ao temporal. Um sopro sibilino, de alguma janela mal fechada, escutava-se…

Quando Malquíades descolou finalmente o olhar do monitor e o endossou para o aparelho telefónico que jazia a seu lado na secretária, percebeu que alguém lhe estava a tentar ligar.

Pegou nele e leu: Beatriz!

- Olá!

- Olá? Está tudo bem contigo?

- Sim.

- Pronto era só para saber…

Malquíades percebeu na voz da interlocutora algo que se assemelhava a um sarcasmo. Achou profundamente estranho, já que não era costume. Porém e sem saber muito bem porquê perguntou:

- Passa-se alguma coisa?

- Oh não, nada… Estás a trabalhar, não é?

- Sim.

Os monossílabos a imporem-se no diálogo de Malquíades… Como sempre!

- Vá fica bem e até amanhã.

- Até amanhã… - todavia a forma fria distante como do outro lado da linha se despediu denotava que algo estaria errado. Não percebia bem o que seria.

Beatriz desligou a chamada e Malquíades acabou de rever os textos. Ergueu-se por fim, espreguiçou-se, saiu calmamente do escritório e dirigiu-se à cozinha para recarregar a garrafa de água que sempre o acompanhava.

Recordou naqueles breves metros toda a história com a namorada. O seu olhar quase viperino que desconstruíra o coração da jovem, a paixão arrebatadora, depois transformada em amor profundo. O pedido estúpido e idiota que fizera a Andrelino para falar com ela, pedindo-lhe namoro por ele. Aquela tarde à beira-mar quando o sol se escondia por entre nuvens, céu e mar e onde ambos fizeram juras, tal qual os romances de cordel de um amor e uma cabana. Os segredos trocados ou melhor os segredos que Beatriz confessou perante o silêncio permanente do rapaz.

Encheu a garrafa virou as costas ao lava-loiça e reparou que na porta do frigorífico na parede oposta havia algo estranho. Aproximou-se devagar. Preso com um daqueles ímans trazidos do estrangeiro por um qualquer amigo, encontrou um papel escrito. Leu-o:

- Sexta-feira, 20 horas jantar com a Beatriz.

O seu coração quase explodiu. Procurou as horas de forma apressada no telemóvel e concluiu:

- Xiiiiiiiiii… grande bronca, esqueci-me completamente do jantar!

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por José da Xã às 15:00

Domingo, 12.05.19

A aposta

Era uma daquelas noites de invernia onde o frio obrigava a que todos permanecessem em casa ao redor de um fogo crepitante e acolhedor. Todos, todos não, que os homens preferiam o ambiente enublado, azedo e assaz barulhento da taberna do Tó Careca.

Ao redor das mesas grupos de homens jogavam às cartas ou ao dominó. Não sendo a dinheiro todavia quem perdesse um conjunto de dez jogos pagava uma rodada aos adversários. Ou era a sueca com as cartas muitos negras e claramente conhecidas de todos ou então â tranca uma espécie de canastra, jogo trazido para a aldeia por um antigo emigrante.

Por detrás do balcão o Tó ia servindo copos de tinto ou cortados. Sempre de forma lenta e pausada que os seus setenta anos e as varizes não o deixavam andar mais depressa.

Com o passar das horas o vinho tendia a fazer das suas e a alterar o discernimento e as conversas dos jogadores.

A certa altura o Augusto levanta-se da mesa e enquanto o parceiro embaralha mal as cartas, declara:

- Vou beber este copo pela alma do Ernesto que nos deixou na passada semana.

E de um trago despejou o copo sujo de vinho tinto. Os outros imitaram-no, mas a conversa da alma não ficou por ali. Mais por causa do vinho que da sensatez, o diálogo seguiu um rumo bem diferente e não tardaria a transformar-se numa discussão onde todos se envolveram. Finalmente Augusto declara do cimo da sua profunda embriaguez:

- Só tenho medo dos vivos não dos mortos!

A declaração dita qual sentença caiu no ambiente como pedra num charco, deixando todos em silêncio. Foi finalmente o próprio Tó que mais em tom de brincadeira que a sério propôs:

- Aposto que não és capaz de ir ao cemitério, à campa do Ernesto e espetar lá um pau. Se o fizeres pago uma rodada a todos…

Gerou-se um burburinho na sala com diversas opiniões.

- Está muito frio… já é tarde… o homem tem medo…

Como Augusto era casmurro e ainda por cima ébrio, levantou-se da cadeira e meio a cambalear dirigiu-se à porta e declarou:

- Já venho! Prepara os copos…

Da noite, quando abriu a porta, veio um ar glaciar acompanhado de um vento que parecia tudo gelar. Augusto vestiu o seu velho, surrado e seboso sobretudo, apertou os poucos botões da veste, levantou a gola e partiu para o cemitério.

A noite de forte luar deixava-o ver o caminho que ele no entanto conhecia de cor. Debaixo de uma oliveira recentemente podada encontrou um pau que lhe pareceu conveniente e foi ao encontro da campa do amigo, recentemente falecido.

Nem cães nem gatos enjaneirados se escutavam na aldeia, apenas os seus passos na noite. Pairava isso sim um cheiro forte a lenha queimada. Numa ou noutra janela irradiava uma luz mortiça, oriunda de alguma candeia de azeite.

Calcorreou os caminhos de terra batida onde os rodados das carroças se distinguiam até chegar ao velho portão do cemitério. Empurrou-o e este rangeu como se acordasse. Facilmente descobriu o monte de terra que cobria a urna de Ernesto. Aproximou-se devagar agarrou com determinação no pau e dobrando-se espetou-o com força na terra.

Porém quando se quis endireitar algo o prendeu. Fez força, muita força e nesse momento começou a tremer. A bebedeira passara como por milagre, mas nem mesmo assim conseguia sair do sítio. Algo o prendia àquele lugar. Num ápice tudo lhe veio à memória… Acima de tudo os receios dos quais sempre duvidara.

A Negra chamava-o e Augusto não parecia ter vontade suficiente para sair daquele chamamento. Sentiu-se sufocar, o coração batia agora de forma descompassada. Caiu finalmente por terra.

O sol já ia alto quando Valéria entrou no velho cemitério. De súbito reparou num corpo que jazia sobre uma campa. Primeiro gritou, mas por fim recompôs-se e devagar aproximou-se. Encontrou Augusto gelado e morto.

Sem saber o que fazer a mulher rodou à volta do cadáver e percebeu que o velho sobretudo estava preso ao pau que enterrara na campa.

Augusto morrera de susto! De si mesmo!

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por José da Xã às 23:52

Domingo, 05.04.15

O Padre Leandro

Chegou aos ouvidos de um Bispo que numa das suas paróquias os fiéis eram cada vez menos. Restavam somente algumas beatas muito velhas e teimosas. E homens… nem vê-los. Era certo que a povoação ficava longe de tudo, enfiada num vale onde só se chegava de cavalo e através de um só carreiro que serpenteava por entre carrascos, aroeiras, giestas e alguns tímidos pinheiros. Mas nada disto servia de razão para haver tão pouca gente na eucaristia. A constante nomeação de novos padres para a paróquia não resolvera o problema.

Foi então que o chefe eclesiástico se lembrou do Padre Leandro. Este era o perfeito exemplo do que não deveria ser um padre. De verbo muito fácil era frequente algumas desavenças com paroquianos, quase sempre por causa de saias. E nem os constantes avisos o mudavam. Outro problema era o jogo, tendo sido por diversas vezes apanhado em lugares impróprios para alguém da sua estirpe. Valia-se então da família com imensa fortuna pessoal, para fazer face a alguns contratempos… pecuniários.

Afável e esperto fora enviado por diversas vezes a alguns locais para resolver problemas mais complicados nas paróquias. E foi assim que o Bispo deitou mão deste recurso humano para fazer face à falta de fiéis na dita aldeia.

- Caríssimo Leandro, tenho uma missão espinhosa para si…

- Diga sua Eminência o que pretende deste humilde servo de Deus!

Explicadas as razões e o que se pretenderia fazer, Leandro tomou a sua égua pela arreata e partiu nesse mesmo instante para a dita povoação. Após longos quilómetros e uma noite mal dormida ao relento, Leandro começou a descer para a aldeia. Passou junto à igreja, mirou-a de alto a baixo e prosseguiu. Logo a seguir percebeu um estabelecimento e parou a montada. Permitira-se tirar a batina antes de sair para a aldeia enrolando-a num velho alforge da égua. Tal como calculava e esperava entrou numa taberna. A sala era pequena e nela pairava um odor misto de vinho azedo e tabaco. Por detrás do balcão encontrou um homem corpulento mas simpático:

. Boa tarde cavalheiro…

- Boa tarde!

- Que deseja tomar?

- Antes de beber necessito comer. Tem alguma coisa?

O outro coçou a cabeça e respondeu:

- Só se for um chouriço assado.

- Ora nem mais! Isso mesmo… e um jarro de tinto se faz favor. Que eu vou-me sentar ali.

Dirigiu-se para o canto da sala meia escura. Do outro canto dois homens olharam-no com curiosidade e depois com desdém. À sua frente copos de vinho meio cheios, que beberricavam com lentidão.

Ainda mal tinha chegado logo outro cliente entrou. Mas este dirigiu-se para a mesa com os outros dois e declarou:

- Acabou-se o jogo…

- Então porquê? – avançou um dos outros.

- O Jaquim não vem. Andas nas batatas lá para os lados da Lagoa Estreita…

Um dos que estava sentado deu uma palmada no tempo da mesa e declarou:

- Logo hoje eu queria a desforra de ontem…

Leandro escutou o diálogo e finalmente achou que seria tempo de meter o bedelho:

- Desculpem-me mas escutei a vossa conversa e parece-me que têm falta de um elemento para jogarem. Mas se não se importarem estou aqui disponível…

Os outros olharam-nos com espanto e um deles observou:

- Você é de cá?

- Não…

- Está de passagem?

- Ainda não sei… - e aproveitou para deitar mais fogo no lume – depende dos meus adversários de cartas…

- Mas você sabe jogar?

- Mais ou menos sei jogar de tudo um pouco. Aprendi com um velho avô… - mentiu.

Os clientes olharam-se e desejosos de jogar aceitaram a proposta.

- Então venda daí, já que sabe jogar.

Era meio-dia. À porta da igreja havia um papel a comunicar que a missa desse dia seria às seis da tarde. Havia assim muito tempo para jogar e… saber pormenores.

Leandro mostrou-se grande jogador para contento do parceiro e arrelia dos adversários. O chouriço que veio foi distribuído por todos assim como diversas rodadas de copos de vinho. Na taberna foram entrando e saindo clientes que miravam o grupo do canto que exibia de uma anormal algazarra. Ainda por cima com um estranho. Alguns chegavam mesmo a perguntar ao patrão quem era o novo elemento, mas a resposta era invariavelmente a mesma:

- Não sei quem é, nem donde veio. Chegou aqui e passado pouco tempo estava na mesa a jogar.

O tempo passou lento mas por volta das cinco e meio Leandro declarou:

- Este é por hoje o meu último. Ainda tenho que fazer!

A verdade é que acabada a partida o jovem padre cumprimentou todos da mesa e anunciou:

- Amigos, amanhã aqui à mesma hora!

Saiu, foi buscar a montada e dirigiu-se à igreja à vista de todos, que haviam vindo à rua para dar fé dos movimentos de Leandro. Às seis horas dava inicia à eucaristia e percebeu quão espinhosa seria a sua missão. Contou doze mulheres muito velhas. Não apareceu mais ninguém.

No dia seguinte à hora aprazada entrou na taberna de negra batina vestida e cumprimentou com alegria:

- Boa tarde amigos… então vamos a um joguinho?

- Boa, boa tarde… senhor prior… - gagejou um dos jogadores.

- Leandro, o meu nome é Leandro.

- Mas o senhor é o padre… - avançou outro.

- E isso quer dizer o quê? Que não posso jogar às cartas com os meus amigos, nem beber uns copos? Ora deixem isso para lá e dêem as cartas…

Durante muito dias o padre apareceu para jogar, sempre à mesma hora. Era já falatório na aldeia a sua conduta, especialmente nas mulheres mais velhas… E de doze paroquianas na missa o número começou a descer. Mas Leandro não se incomodava… Na sua mente fervilhava uma ideia…

Naquela tarde a chuva viera visitar a aldeia e os homens ociosos juntaram-se na pequena taberna. Era já conhecida a arte do padre nas cartas e todos queriam ser dele, parceiro. A tarde decorreu mais barulhenta do era costume mas quando chegou a hora da missa Leandro levantou-se e disse:

- Bem está na hora de irmos à missa…

Os homens olharam uns para os outros não entendendo onde Leandro pretendia chegar. Mas este sem olhar para trás e imaginando o que se estava a passar nas suas costas, acrescentou:

- Não se esqueçam… às seis em ponto.

A armadilha montada durante tanto tempo disparara agora sobre o povo aldeão. Muitas palavras proferidas entre dentes mas ninguém arredou pé da taberna. Nessa tarde Leandro teve ainda menos gente na sua igreja. Porém no dia seguinte o padre não apareceu na taberna. Os outros bem que aguardaram a sua chegada mas sem resultado. Viram-no somente à tarde a entrar para a sacristia pela porta lateral. Ao fim de quatro dias de ausência Leandro reapareceu na taberna como se nada tivesse acontecido e a alegria reinou na taberna. O próprio taberneiro agradeceu em silêncio a presença do prior tal era a força do negócio.

Quando bateu as cinco e meia no sino da igreja Leandro avisou:

- Este é o último jogo, depois vamos à missa…

Quando a partida finalizou o padre levantou-se da sua cadeira e comunicou:

- A missa é às seis em ponto.

Nessa tarde e para admiração de muitas paroquianas a igreja teve, pela primeira vez, mais homens que mulheres a assistir.

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por José da Xã às 23:10

Quarta-feira, 28.01.15

O amigo Rafa

A fama do canito do José Trapas havia ultrapassado e muito as fronteiras do concelho. O animal em causa não tinha uma raça bem definida, era feio como uma noite de tempestade, todavia simpático e muito competente no que se referia à caça!

Por diversas vezes, quando o dono se dignava acompanhar os outros caçadores, era vê-lo em busca de coelhos e lebres. Enquanto os outros cães ladravam tentando assustar a caça, Rafa embrenhava-se, qual furão, debaixo das pedras ou penetrava num silvado mais fechado fazendo saltar com rapidez os animais, para enorme gáudio dos caçadores:

- Como este animal nunca vi nenhum… - afirmava um.

- Será que o ti’ Zé Trapas mo vende? – assumia outro o interesse.

Mas o aldeão gostava pouco das referências ao seu cão. Recolhera-o ainda cachorro num velho palheiro, alimentara-o e mimara-o desde sempre. Era um verdadeiro amigo que ali tinha. Viúvo havia muitos anos Zé acabou por encontrar no Rafa a companhia ideal. E o cão jamais abandonava o dono, fosse para onde este fosse.

De pêlo amarelado, emaranhado e comprido, Rafa tinha todo o aspecto de um puro rafeiro sem eira nem beira. Nem manso nem bravo o canito respeitava o dono e a sua vontade. Conseguia perceber o que Zé lhe mandava fazer e obedecia-lhe com competência. Dormiu muitas noites debaixo do alpendre que dava guarida à porta mas depressa passou para dentro de casa fazendo companhia nas noites frias de Inverno.

Um dia antes da época da caça iniciar, bateram à porta do Zé que tentava sem qualquer dente, roer uma castanha crua. Este escancarou a porta e deparou-se com o Juvenal, um velho amigo da época venatória e não só. Surpreso, convidou a visita:

- Entra Juvenal, fica à vontade – e apresentou-lhe uma cadeira – Que te trás por cá?

- Obrigado amigo Zé, mas vou direito ao assunto: quanto queres pelo teu cão? Amanhã começa a caça e eu estou disposto a dar bom dinheiro por ele.

Admirado com a proposta de negócio, devolveu:

- Tu achas que o meu cão está à venda? Nem pensar…

O outro destapou a cabeça desvendando uma calva lisa e lustrosa, coçou-a com a mão esquerda, mas não desistiu:

- Mas não passa de um cão… É um animal… E eu pago bem!

Retirou do casaco sebento e puído uma velha e gorda carteira e mostrou um conjunto de notas prontas a passar de mão. Assim acedesse o Trapas.

- Não, para mim não! O Rafa é um amigo! E eu não vendo os amigos por dinheiro nenhum…

O outro percebeu que provavelmente o negócio não se fazia. Mas desistir não estava nos seus planos. Insistiu:

- Espera aí tu achas que o animal vai viver para sempre. Um dia fica aí debaixo de um qualquer carro de animais… e depois nem dinheiro nem cão.

- E o que tem lá isso? O Rafa é meu não o dou nem o vendo por dinheiro nenhum.

Juvenal não pretendia desistir e por isso mudou de estratégia:

- Então pronto, não me queres vender o cão… estás no teu direito. Mas pelo menos podias emprestar-me para amanhã ir à caça.

Zé olhou para a visita, franziu o sobrolho e perguntou:

- Tu não estás a falar a sério, pois não?

- Claro que estou. Preciso de um cão para ir comigo à caça… E só me lembrei do teu. Ainda te dou dinheiro por cima…

- Mas porventura ter-te-ás esquecido que o Rafa é para mim o meu melhor amigo. E como já te disse a amizade não se compra nem se empresta e muito menos se aluga.

O duelo parecia renhido. O Trapas estava decidido a não largar o seu cão e Juvenal não pretendia um não como resposta. Serenamente o Zé chegou-se próximo da visita e perguntou-lhe:

- Tu ainda estás casado com a Lucinda?

- Ó Zé tu sabes que sim. Que pergunta essa…

- E tu e a tua mulher sempre foram meus amigos?

- Claro. Alguma vez duvidaste?

- Não, não, nunca.

- Então… porque perguntas?

- Bom Juvenal… - e tossiu um pouco como quisesse aclarar a voz – a minha mulher morreu faz daqui a meses, dez anos…

- Já… - interrompeu o outro – parece que foi ontem.

- E desde essa altura nunca mais soube o que era ter uma mulher… Entendes?

- Sim. Mas onde pretendes tu chegar?

- Alugas-me… nem que seja por um dia a tua mulher?

O outro quase caiu da cadeira, tal foi o choque da proposta escutada.

- Tu estás completamente doido? Mas que ideia é essa?

- Tão doido quanto quereres o meu cão.

- Mas… mas… são coisas diferentes- gaguejava.

Foi o momento de Zé Trapas se sentar defronte da visita e explicar-lhe:

- Como deves calcular eu não necessito da tua mulher. Serviu este pedido para te fazer entender que na vida o dinheiro não é tudo! E a amizade, mesmo vindo de um rafeiro, vale mais que todo o dinheiro do Mundo.

Levantando-se dirigiu-se à porta, abriu-a e mostrando assim a Juvenal o lugar para onde deveria ir.

- Portanto tu não me alugas a tua mulher e eu não te alugo o meu cão – concluiu a rir.

Juvenal reconheceu finalmente que não fazia negócio e regressou a casa sem o Rafa. No entanto levou muito com que pensar!

 

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por José da Xã às 23:15


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