Fraco e triste poeta, eu
Que nem versejar sabe.
Doente e infeliz filisteu,
Nem num coração cabe.
Em folhas alvas, virgens
Descarrego a raiva do dia.
Umas reles personagens
Encharcadas de rebeldia.
Queria ser belo trovador
De sonhos não sonhados
Rimar amor com ardor.
E saudades com fados.
Vovó, vovó
A gaiata chama.
Queres um popó
A avó oferece.
Tens de fazer um o-ó!
Mais tarde é o vovô
Que dá a boa papa.
Mas a menina tem cocó
Ou será somente xixi?
Calcula a titi.
Há um miau que é gato
E um ão, ão patudo.
Depois vem o pá de pato
E o piu-piu do passarinho
Falta a tuta de tartaruga.
Aprender a falar ou
a dizer o que se sente é duro,
já que as palavras simples
serão apenas sons
de um amante coração.