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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Perdido!

Mais uma resposta ao desafio da Ana.

 

Gostaria de escutar outra vez o mar

E sentir nas faces sua força pujante.

Encharcar-me de sal e poder sonhar

Como a gaivota no seu voo rasante.

 

Quero ouvir-te chamares por mim,

Eu que te amei sem saber quanto.

Abraçar-te num amplexo assim,

Repleto de risos, alegria e pranto.

 

Eis este escriba de insonsas palavras

Carregadas de tristeza, derrota e dor.

É hora de partir para joviais lavras

Mas falta-me o sol, a luz e o amor.

 

Saio de mansinho para a noite, só

Em busca do verdadeiro sentido.

Reconheço o trilho sinuoso e o pó

Deixai-me finalmente: estou perdido.

Desafio da abelha... versão Primavera!

Mote: era uma vez uma mulher que quando acordou do coma só miava.

 

A porta abriu-se deixando que a equipa médica entrasse. Ao fundo o Director clínico. Os súbditos de Hipócrates espalharam-se pelas cadeiras para finalmente iniciarem a reunião.

- Então que caso clínico é esse que me querem mostrar?

Um dos médicos levantou-se da cadeira:

- Caro colega temos um caso bizarro e estranho com uma doente que esteve em coma durante algum tempo e quando acordou não falava…

- Perfeitamente natural… Queria o quê… que fizesse um discurso à nação, colega?

- Pois ela não fala… mas…

- Mas o quê Doutor? Desembuche…

- Nem sei como lhe dizer… caro Director…

Do fundo da sala uma jovem médica ergueu-se da cadeira e declarou:

- A doente mia…

Um silêncio. O Director ergueu-se devagar, saiu da cadeira e começou a passar a mão pela face. Depois:

- Ele está aí! Outra vez! Como pode ser possível?

Ninguém falava. O silêncio era quase tumular. Por fim esclareceu:

- Ao invés do que pensam este não é caso único.

- Ohhhhhh – responderam em uníssono.

- Já há uns anos tivemos um caso assim.

- E tem cura? - perguntou alguém.

- Tem. Eliminem os gatos da respiração dela. Verão que deixará de miar!

Da abelha...

Mais um desafio!

Ela entrou devagar no estabelecimento e esperou que o companheiro estivesse livre.

Calcorreou por entre mesas e cadeiras, para finalmente se sentar. A criança já começava a pesar…

Ele ainda não a vira pois estava de costas, mas quando a percebeu no fundo da sala foi ter com ela com um sorriso aberto.

- Viva, vieste cedo… - disse ele.

- Olá amor… A médica despachou-me num instante.

- E…

- E o quê?

- Tu não ias saber o sexo da criança?

- Ia.

- Então…

- Podemos ir para um lugar mais sossegado?

- Claro, vem comigo…

Atravessaram a sala e num recanto onde se distinguia um quadro de ardósia ela comunicou:

- Uma menina… Vais ser pai de uma menina.

Um enorme sorriso aflorou aos lábios dele e depois dela e ambos riram. Ele afagou a barriga já volumosa da companheira e declarou entre risos:

- Já pensaste num nome?

- Já…

- Ana, chamar-se-á Ana!

- Concordas?

- Claro que sim.