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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Os seis anos da Olívia!

Os dias que antecederam o aniversário da Olívia, foram vividos de forma frenética pela cachopita. Faria seis anos e para ela aquela idade surgia como um marco de vida, como se tudo ao seu redor passasse a ser diferente.

Doce ilusão!

Naquele Domingo acordou muito cedo e em vez de procurar a árvore de Natal como fizera no ano anterior foi buscar os puzzles que lhe haviam oferecido na festa do Advento. Espalhou-os em cima da mesa da cozinha e escolheu um dos sacos com dezenas se não centenas de peças recortadas e com a gravura para se guiar.

Estava tão embrenhada que nem notou que pai e mãe a olhavam havia uns minutos embevecidos naquela atitude de menina que sabe o que quer. E menos criança, mais rapariga pronta a entrar num longo e sinuoso caminho de vida e para o qual ainda não tinha real consciência.

Foi o mano Gustavo que aos gritos de “mããããããããeee” a fez desviar a atenção do seu puzzle.

Levantou os olhos, notou o pai e no mesmo instante:

- Paaaaaaiii! – e correu para os seus braços que a envolveram num amplexo apertado, sincero e sentido.

- Parabéns Olívia…

- Obrigado papá! – para logo devolver – A mamã?

- Foi buscar o mano que já acordou!

Nesse mesmo instante entraram ambos e a mãe de lágrimas nos olhos de tanta alegria, virou-se para o rebento mais novo e perguntou-lhe:

- Vamos dar um abracinho à mana de parabéns, vamos?

Um momento único naquela família, com pais e filhos numa comunhão feliz, serena e cúmplice.

- Parabéns minha querida… Vês passou um ano num instante…

- Obrigado mamã!

- Agora vamos tratar do pequeno almoço de todos, comemos e depois vamos às compras para o teu lanche. E vais ser tu a escolher o bolo, sim?

- A sério, posso escolher?

- Claro!

- Convidaste muitos amigos para a tua festa?

- Muitos… mas…

A voz da pequenina mudou de súbito de tom! Uma emoção estava ali presa na garganta e Olívia parecia estar com dificuldade em se desembaraçar dela. A mão percebeu a filha, abraçou-a com ternura e em sussurro comunicou-lhe:

- Ele está a ver-te!

- Mas eu não o vejo… E gostava tanto que ele pudesse estar aqui comigo hoje!

Os pais olharam-se sem saber que resposta dar à aniversariante. Foi o pai que deu o mote:

- Tenho a certeza que esteja onde ele estiver está a ver-te, como disse a mamã, e não gostará de te sentir triste.

Olívia não evitou as lágrimas e agarrou-se com mais força à mãe, para esta logo a afastar e dizer:

- Este é o teu primeiro teste como menina crescida.

A menina nada disse! A mãe continuou:

- Perdeste o teu boneco preferido, mas ele não te perdeu. E isso é um gesto muito bonito e de uma menina crescida.

- Achas mamã?

- Pergunta-lhe – retirou então das costas o velho, sujo e gasto coelho de peluche e entregou-lho. Olívia quase caiu para trás de alegria e gritou:

- Piflin!

E abraçou-se a ele como tivesse somente três anos.

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