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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Do baú... #1

Introdução:

Durante muitos e muitos anos foi rabiscando uns textos em blocos, cadernos ou até alguns foram escritos à máquina de escrever. Hoje comecei a recuperar alguns desses textos. A maioria são pedaços tristes, mal escritos e a requererem revisão. Mas prefiro deixá-los assim (quase) como o original. Chamarei a esta rubrica "Do baú..." e inicio com um pequeno e pobre poema que já não me lembrava de ter escrito mas que agora faz todo o sentido.

 

Sementes

à Maria, mãe dos meus filhos

 

Ontem entre a tarde e a noite

Lançaram-se as sementes à terra

No solo fértil, gracioso e generoso

E as dúvidas fecundaram certezas

 

Hoje as flores são já árvores

Ainda de tronco frágil e inquietante

Procuram protecção nos teus ramos

Acham vendavais nos ventos

 

Amanhã serão frondosos pinheiros

De frescas sombras e odores perfumantes

Um dia cairão novas sementes à terra

E tu serenamente verás novas flores.

 

Amadora 1990

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