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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Contos tontos! - 5

- Lembras-te quando namorámos as tardes tão saborosas que passámos?

Ele olhava para o portátil e parecendo distante disse:

- Isso foi há tanto tempo. Ainda te lembras?

- Se me lembro... Tenho tantas saudades desses dias... bons!

Ele recostou-se no grande cadeirão e erguendo os olhos do computador, perguntou:

- Gostarias de repetir?

Os olhos dela incharam-se de alegria e devolveu:

- Claro que sim... E tu não?

- Eu também. Mas para isso tens de largar os comprimidos que te estão a definhar.

Ela baixou os olhos repentinamente e iniciou uma torrente de lágrimas.

Ele não se enterneceu com o choro. Era sempre assim!

Quando parou, recomeçou como se nada tivesse passado.

- Lembras-te quando casámos as nossas noites de leituras...?

Ele olhou-a com rispidez e respondeu, seco:

- Lamento, mas já não me lembro!

 

12 comentários

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    José da Xã 17.06.2015

    Desculpa rapariga não pretendi magoar ninguém.

    A sério achas que é muito duro?
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    golimix 17.06.2015

    Às vezes a realidade é dura. Tu escreves um pouco sobre esse retrato.

    Não sei porquê mas este arrepiou-me, talvez porque me coloquei no lugar dela...
    Perdida, com culpa, sabendo que não está bem mas que quer subir do fundo do po3 onde se encontra mas não tem a capacidade de nadar sozinha...
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    José da Xã 17.06.2015

    E eu que vivi com essa dura realidade?
    Sei muitas vezes do que falo.
    Nunca tive qualquer depressão mas vi a minha mulher cair e erguer-se. Ajudei-a sempre naquilo que pude.
    A vida nem sempre é fácil.
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    golimix 18.06.2015

    Triste é quando não têm ajuda e ainda por cima são abandonadas agravando o quadro.
    Conheço uma professora do ensino superior, excelente profissional e inteligente, que simplesmente pirou.
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    José da Xã 18.06.2015

    Mas acredita que os medicamentos não resolvem! Especialmente quando as pessoas são novas.
    Então qual o remédio? Perguntar-me-ás... Nâo sou psiquiatra nem psicólogo para apresentar soluções milagrosas. Uma coisa é certa: tudo parte da nossa maneira de ver a própria vida. Ou melhor... a forma como aceitamos o que a vida nos tem para nos oferecer.
    Mesmo nos momentos menos bons! É aqui que reside o segredo... Aceitar.
    (Um belo tema para um post, não achas?).
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    Lídia 20.06.2015

    Boa pergunta: Será que a capacidade de resiliência é suficiente para nos proteger sempre?
    Gostaria de acreditar que sim!

    Bom fim de semana!


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    José da Xã 21.06.2015

    Também eu, Lídia, Também eu!

    Boa semana!
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    Lídia 23.06.2015

    A propósito, publicaram ONTEM isto:

    http://observador.pt/2015/06/22/feliz-sempre-segundo-harvard/


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    José da Xã 23.06.2015

    Já li e é muito curioso.

    Obrigado pela referência.
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    Lídia 23.06.2015

    Citei-o porque o primeiro conselho vai ao encontro do que dizias:
    "Aceitar o que a vida traz"

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    José da Xã 23.06.2015

    Lídia,

    Sempre aceitei. Com muita dor interior é certo. Por vezes alguma revolta. Mas no fim... aceitava.
    Creio mesmo que a minha fé religiosa deu-me o lastro suficiente para percorrer este caminho.
    Contento-me com pouco, mesmo muito pouco. Porque no fundo, no fundo não sou dono de nada. Minto... apenas dos meus sonhos. Estes ninguém me rouba.
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