Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Terça-feira, 09.10.18

Contos tontos - 33

Tinha horas de nascido quando ouviu pela primeira vez o som estridente de uma locomotiva a apitar, o que o fez chorar. No entanto dias depois já se habituara.

Os pais eram guardas de uma cancela onde com frequência passavam viaturas, pessoas e animais.

José Lúcio foi por ali vivendo e vendo os comboios a passar. Os primeiros a carvão com demasiado fumo e barulho ao que se seguiram as máquinas a diesel, também elas barulhentas. Aprendeu todos os horários e conhecia como ninguém os maquinistas que lhe acenavam com alegria.

O apeadeiro ficava a poucos quilómetros mas o jovem jamais por lá aparecera. Assim que o trem passava Zé punha-se no meio dos carris até ver desaparecer a última carruagem numa curva onde as linhas paralelas pareciam tocar-se.

Todas as noites, sempre que se deitava na cama malcheirosa com um rancho de irmãos, ficava a tentar adivinhar o que haveria para lá daquela curva. Algo que nunca perguntara a ninguém. Uns diziam que para um dos lados seria a capital Lisboa, o país, o mundo. E para o outro lado, o que haveria? Ninguém falava disso.

A escola era numa aldeia longínqua. Estivesse frio ou calor, chuva ou vento, José Lúcio punha-se sempre a caminho. No entanto, cedo percebeu que o conhecimento lhe daria vantagem. Mas ao mesmo tempo temia as respostas a tantas perguntas que invadiam o seu cérebro e que nunca formulara a ninguém.

Sempre que podia ajudava pai e mãe a subir e a descer a cancela e nunca vira nenhum acidente. Ainda bem pensava ele.

Mas todos os dias olhava a estrada de ferro que levava tanta gente…

Certa madrugada, já com 16 anos, pegou num bornal encheu-o com o que podia levar para comer e partiu linha fora à descoberta do que haveria para lá da curva…

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por José da Xã às 13:43


4 comentários

De Robinson Kanes a 09.10.2018 às 14:40

Tome lá um "like"!

De José da Xã a 09.10.2018 às 15:02

E porque não me trata por "tu ca tu lá?
Obrigado de igual maneira

De Ana a 09.10.2018 às 15:30

...e nunca mais ouviu o comboio , e nunca mais levantou a cancela ...

De José da Xã a 09.10.2018 às 16:29

Se tu o dizes... quem sou eu para duvidar.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Outubro 2018

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogues Importantes