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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Quinta-feira, 13.09.18

Conto tontos - 30

Esmeraldo entrou na taberna suja e escura do Carlos e sentou-se no local mais negro.

Pelo caminho foi cumprimentando os presentes e dando algumas respostas:

- B’tarde pessoal!

- B’tarde Aldo – respondeu o compadre Joaquim enquanto batia com uma carta na mesa de pedra ganhando a vaza.

- Isso vai? – questionou o Adolfo, mais conhecido pelo Viramilho.

- Que remédio. Tem de ir – respondeu o recém-chegado.

Depois.

- Um traçadinho ó Carlitos!

- Branco ou tinto?

- Branquinho, que não gosto nada de sujar o estômago.

Veio o vinho para a mesa e Esmeraldo beberricou um dedal e encostou a cabeça à mão. A sala pequena, mal iluminada e a tresandar a vinho era agora palco de uma pequena zaragata assente em palavras por causa das cartas.

- Porque não vens ao trunfo, caneco? – questionava um enfurecido

- Porque estou seco, porra...– respondia o parceiro.

Entretanto um deles olha para Esmeraldo vê a tristeza estampada no rosto e pergunta-lhe:

- Ei homem, que se passa contigo?

O outro não ligou. Voava com os pensamentos, quiçá.

Aproximaram-se dele e finalmente acordou do marasmo:

- Então homem… que me contas?

- Nada… - desabafou.

- Nunca te vi assim… conta lá o que tens…

- Não há nada para contar…

Os outros largaram as cartas e arrastaram as cadeiras para perto de Esmeraldo. Apertaram com o homem.

- Desculpa lá, mas não pode ser. O que se passa, amigo?

Esmeraldo pegou no copo e bebeu o resto de um trago e fez o gesto para se levantar. Todavia os amigos não deixaram. Até que Ludovino se lembrou de algo.

- Olha lá a tua Dores já teve a criança. Era por estes dias não era?

O outro levantou o olhar para o inquiridor e respondeu:

- Já teve já! Foi esta manhã.

- E estás triste por isso?

- Mais ou menos…

- Já são quantos Esmeraldo? - perguntou Raul.

- Cinco… - e proferiu o número de uma forma amorfa.

- Ena cinco. Grande fábrica… Tão novo e já cinco crianças.

- Má fábrica – desabafou então.

- Olha… má porquê? - avançou Viramilho.

- O homem está tonto – disse Ludovino.

- Pois é… só faço loiça rachada.

Os outros olharam entre si até que Joaquim afirmou:

- Já percebi… outra rapariga, não é? E querias um rapaz?

Esmeraldo abanou a cabeça em confirmação e enterrou a cabeça nas mãos. Os outros voltaram então para a mesa e recomeçaram a jogar.

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por José da Xã às 15:14



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