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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

A cor do mar!

Resposta a este desafio

Era uma vez uma mulher chamada Edna que tinha problemas de visão. Um dia sentada na sua barraca feita de terra batida e tecto de colmo, escutou vindo do centro da aldeia um enorme alvoroço.

Ouviu as crianças a gritarem num frenesim incomum. Mas em vez de se levantar deixou-se ficar sentada pois sabia de antemão que em breve alguém lhe traria novidades.

Ainda não havia decorrido um minuto e logo um rapazito descalço e quase sem roupa entrou a correr pela porta que nunca existiu.

- Mã Edna, mã Edna… chegarem… chegarem…

A idosa estendeu a mão gorda e tentou acariciar o cabelo encarapinhado do menino. Este aproximou-se e deixou que matriarca da tabanca o tocasse para depois lhe perguntar:

- Seninho quem vem lá?

- Os doutor… os doutor… Vem ver olhos…

Edna ergueu as mãos para o Céu e disse:

- Eu sabia… eu sabia…

- Sabia quê mã Edna?

A velha não respondeu. Arrancou o pesado corpanzil da velha cadeira e procurou com as mãos o buraco da porta que não havia. Aproximou-se mais da rua e escutou. Por fim disse:

- Onde estão os doutores?

Sem que os visse dois médicos aproximaram-se de Edna e responderam:

- Estamos aqui Mãe Edna. Vimos ajudar com os vossos problemas de visão. Sei que nos escreveu uma carta… a solicitar apoio.

- Já lá vão quase 10 anos… - Interrompeu.

- Nós sabemos… mas só agora se conseguiu dinheiro. Podemos começar por si…

Edna endireitou-se ainda mais e segura a um velho cajado e às suas velhas convicções afirmou em tom duro:

- Primeiro as crianças, depois as mulheres, os homens vêm a seguir e finalmente se ainda houver oportunidade podem vir ter comigo.

- Mas porque não começarmos por si? - insistiu o médico.

- Porque eu sou velha e já sei de cór as cores do mundo. Porém a maioria das crianças nunca viram para lá deste bosque e do céu. E a cor do mar é tão bonita!