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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Soneto II

Porque será escrever me dói tanto

Sinto em sobressalto toda minh’ alma,

Aquela dor lancinante de um pranto.

Uma mágoa fria que jamais acalma.

 

Não sonho ser um rei ou um bom santo,

Mas entoações nuas sem vivalma

Falaram de um só amor que acalento,

Preso na minha mão, na própria palma.

 

Porque dói esta dor assim tão triste

Serei apenas um triste homem só

A quem nada aguarda nem assiste.

 

Um dia serei pó não mais que pó

Daquele que nem ao Suão resiste.

Qual milho sob a roda duma mó.