Queria ser o extenso mar,
verde, azul, cinza ou preto.
Doçura e raiva para mostrar,
Malagueiro, manso e quieto.
Queria ser como mar revolto
cuspindo som das entranhas
varrer a praia do pó solto
Viver aventuras tamanhas.
Sou um ribeiro escorrendo
Por entre pedras desiguais.
Tenho um sonho vendido
àquele que me der mais!
O tempo
é velhaco,
Leva-nos as horas,
os dias,
as semanas.
Deixa-nos
Memórias
Tristes umas
Outras…
Já nem o são.
O tempo
É vil.
Rouba-nos a alegria
De voltar
A saber amar.
Pilha-nos
A alma triste
Do pouco sangue
Que um dia
Encheu o coração.
O tempo
é criminoso
Mata-nos sem dó
A esperança
E o sonho.
Corta cerce
o velho ardor.
Inunda
as noites
de muitas lágrimas.