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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Eis-me!

Olho o caminho recto e cinza

entre muros de pedras soltas

temo não seguir os meus passos

à aventura das descobertas.

 

Há no horizonte folhas caídas

de um Outono bem próximo.

Tempos assaz estranhos de

dilemas, dúvidas e incertezas.

 

Sinto no pobre coração frágil

a dor férrea de uma tristeza,

o grito lancinante da revolta

a lágrima singela e chorada.

 

Dias virão mesmo assim,

mornos, mansos, velhacos.

Arrebatam de mim ardores

Bravatas certas e perenes.

 

Na verdade... na verdade

não sei ser de outra forma.

Sou assim completamente

total, animal e quiçá fatal!