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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

Desafio de escrita dos pássaros #5

Mote: Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda. Escreve a tua intervenção para convencer um dos lados a aceitá-lo

 

Quando chegou encontrou uma fila enorme. Aproximou-se do último:

- Boa tarde, o que se passa aqui?

- Boa tarde…. Há uma embrulhada qualquer lá para a frente.

- Sabe o que é?

- Parece que não querem deixar entrar alguém…

- Isso faz algum sentido?

- Não sei. É a primeira vez que estou na fila para o Purgatório.

- Há quanto tempo aqui está?

- Humm… deixe cá ver… Praí há uns 15 anos.

- Acha que posso lá ir?

- Vá, vá… não se empate comigo…

Foi passando pelo aglomerado até que ao fim de muito tempo encontrou novo amontoado de cabeças. Aproximou-se devagar até que chegou perto duma porta onde duas pessoas trocavam-se de razões:

- Então boa tarde… o que passa aqui? – Questionou.

Um dos contendores respondeu célere:

- Este espécime de gente quer entrar no Purgatório e eu não quero… – respondeu o que parecia ser o porteiro, apontando para alguém de estatura média, bigode pequeno e uma franja ridícula que lhe tapava metade da testa.

- Mas porquê pode-se saber?

O outro mirou-o de cima a baixo e devolveu:

- Então não o conhece?

- Sim conheço e depois? Tem direito ao seu lugar no Purgatório como os outros.

- Deve estar doido não? Este nem morto passará aqui!

- Desculpe, mas morto já ele está. E há mais de 70 anos.

- Não quero saber… Não entra, pronto! Um tipo destes que mandou matar milhões… de judeus… e outros.

Irredutível o guarda era tempo de pegar nos seus trunfos e jogá-los. De outra forma dificilmente se sairia daquele estranho impasse.

- Diga-me lá uma coisa… Sabe quem eu sou?

Sem que o outro respondesse, continuou:

- Está a imaginar com quem está a lidar?

- Não sei nem quero saber… Até poderia ser o “Celito” ou o “CR7”. Para mim era igual. Este não entra. Ponto.

- Eu sou o… Malquíades – comunicou.

Um silêncio, a maçã-de-adão subiu e desceu por mais de uma vez, um rubor subiu às faces e as mãos tremeram. Por fim, refeito do susto, gaguejou:

- O… o… o… verdadeiro Malquíades?

- Eu mesmo!

Sem mais palavras franqueou a porta desviou-se e com uma vénia acrescentou:

- Desculpe o mal-entendido. Passem, passem os dois se fizerem favor.

Mal iam a atravessar a porta… acordou!

Malquíades suspirou confessando:

- Uff escapei de boa!