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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.

21 dias na aldeia (7)

VI - Crepúsculo

 

O sol vai-se a esconder, já para além da serra.

A noite tomba um véu sôbre o dia da terra.

 

Enxada ao ombro, volta o camponês ao lar.

Deixou de trabalhar.

"Agora, cavador, podes ir descansar!"

 

Os bois, puxando o carro, voltam à povoação.

Vêm mais ajoujados, o carro vem carregado.

E o boieiro à frente, também já vem cansado.

Agora já não canta, pica-os com o aguilhão.

 

A mulher pôs a mesa,

Acendeu a candeia.

E aquela luz na aldeia,

Inspira-nos tristeza!

 

O bébé acordou. Ei-lo agora abrincar.

O crepúsculo baixa! É a noite a tombar!

 

Nas paredes branquinhas, de branca e alva cal,

Já não se reflecte o quente sol de verão.

E a falta de luz na linda povoação,

Torna ainda mais bela esta noite estival.

 

Só luz dentro das casas. A pedregosa rua

Só é iluminada pelos clarões da lua!