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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.


Sábado, 09.03.13

Poema para um dia cinzento

Chove.

Nas ruas lamacentas caí tanta vez.

A terra negra ou clara invade-me

Como vírus peçonhento.

 

Chove.

Nas margens duma ribeira

Morrem afogadas as ervas

Verdes de tanta raiva.

 

Chove.

O som da bátega de água

Enche-me o coração de melancolia

Torpe de quem sofre de amor.

 

Chove.

Um vento singelo e apurado

Vai-se recortando por penedos

Trazendo-me o cheiro a terra.

 

Chove.

Ouvi-la só, bastava-me.

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por José da Xã às 22:53

Quarta-feira, 26.09.12

Lágrimas de outono

(mui simbólica homenagem a Verniz Negro, pela paciência e sapiência)

 

Gosto destes dias de chuva que aplacam a ferocidade

De um sol demasiado tardio inundando um imenso verão.

 

Gosto de sentir a água fria como de fonte se tratasse

Jorrando do céu plúmbeo a vida em límpidas gotas.

 

Gosto do silvo sibilante do vento debaixo da fresta

Traz-me novas do outono feito de castanhas e vinho.

 

Gosto sim de me molhar e perceber no ar revolto

O perfume da terra molhada a pedir fria enxada

 

Gosto de ti simples, nua, como tu vida sabes ser.

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por José da Xã às 00:02


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