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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Quinta-feira, 14.08.14

Leitura breve

Folheio aquela caturra sebenta,
Dos meus longos dias passados,
E releio com dor todas as palavras,
Que ali fui enfim depositando.

Nas folhas amarelas e puídas
Parecem arabescos desenhados
As palavras rasuradas e reescritas
Que quase nem sei decifrar.

Leio e releio o que ficou à tona,
A substituir as palavras primeiras,
Estas são mui velhas, quase mortas
Ora cortadas a negro profundo.

Quero apagá-las, fazê-las desaparecer
Deitar-lhes o fogo e deixá-las arder.
Ou simplesmente afogá-las,
Nas lágrimas que já não sei verter,

Há livros destes que não gosto de (re)ler!

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por José da Xã às 15:38



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