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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Sexta-feira, 15.05.15

Contos tontos! - 2

O carro seguia dentro dos limites, na auto-estrada. Ele conduzia e pensava, ela dormia profundamente.

O alcatrão negro desenrolava-se à frente tal qual um manto. E a viatura consumia quilómetros.

Entretanto o espírito dele viajou para um passado tão longínquo que quase não acreditou que tivesse existido.

As festas, as brincadeiras, as amigas e os amigos, as partidas aos colegas... Esboçou um mero sorriso ao lembrar-se! Olhou para o lado, onde ela dormia. Vinda também do seu passado notou-lhe então os rasgos cravados na face, o pescoço quase flácido, os cabelos de cor cinza. Mas ainda era bonita... E como ele a amava...

Quanto tempo passara desde a última vez que ele lhe sussurara a palavra mágica. Perdera o conto.

Umas vezes por isto, outras por aquilo, acabaram por se afastar!

De súbito ele falou em tom sonoro:

- Amo-te!

Acordada subitamente pela palavra, perguntou:

- Disseste alguma coisa?

- Eu? Eu não... Devias ser tu a sonhar!

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por José da Xã às 23:22


3 comentários

De melguinha2 a 18.05.2015 às 13:11

Mais um lindo conto aqui postado,os meus parabens!!

De Lídia a 16.06.2015 às 23:17

Que sonho lindo!
Às vezes os sonhos também se concretizam/verbalizam!

De José da Xã a 17.06.2015 às 08:07

Mais uma estória de amor mal resolvida.

Há nas relações muitos vezes estas distâncias que se vão criando...
Como num caminho em que nos enganámos é necessário parar e perceber onde foi que desviámos do trilho correcto. E voltar atrás e recomeçar tudi de novo.

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