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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Sábado, 25.06.16

Contos Tontos -17

Sentada na areia morna que o sol aquecera, de vez em quando erguia o olhar do livro e lançava-o pelo mar até ao horizonte. Depois serenamente regressava à leitura.

A seu lado os seus pertences. Entre eles a toalha ainda dobrada que aquecia ao asto-rei.

Em seu redor uma quantidade de gente diferente gozava daqueles momentos de veraneio. Uns gritavam, outros riam, mas nenhum curiosamente incomodava a sua leitura. Nem mesmo a movimentação de gentes, que entravam e saiam calmamente da praia.

Optara por um lugar perto da duna, de forma a não ser demasiadamente incomodada com o vento que soprava áspero.

O sol descia já numa tentativa de se afundar no horizonte devolvendo aquelas cores alaranjadas tão características de fim de tarde.

Quando levantou uma vez mais os olhos para o seu horizonte atravessou alguém que se sentara a uns metros, não muitos, de si.

De costas o homem parecia bem constituído e apresentava-se com um tom razoável de bronzeado. A praia é dos poucos lugares onde se pode olhar para perto como se estivessse a olhar ao longe. E vice-versa!

De súbito o homem ergueu-se, deu meia volta em busca de algo que não encontrou e ela pode então reparar que o seu vizinho tinha um aspecto musculado mas bem parecido, diria mesmo... esbelto. E prendeu naquele corpo macho o seu olhar...

Interiormente envergonhada pela sua atitude regressou à leitura, onde curiosamente nesse mesmo instante leu:

"O problema não é amar... mas saber quem amar!"

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por José da Xã às 23:27


2 comentários

De Cris a 30.10.2016 às 20:40

Pois... na "mouche"!

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