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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Sábado, 09.03.13

Poema para um dia cinzento

Chove.

Nas ruas lamacentas caí tanta vez.

A terra negra ou clara invade-me

Como vírus peçonhento.

 

Chove.

Nas margens duma ribeira

Morrem afogadas as ervas

Verdes de tanta raiva.

 

Chove.

O som da bátega de água

Enche-me o coração de melancolia

Torpe de quem sofre de amor.

 

Chove.

Um vento singelo e apurado

Vai-se recortando por penedos

Trazendo-me o cheiro a terra.

 

Chove.

Ouvi-la só, bastava-me.

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por José da Xã às 22:53


2 comentários

De Fátima Soares a 09.03.2013 às 23:57

Temos poeta! Não habemus papa, mais isso não interessa nada (ehehhehe) Gostei muito. Está muito bem feito. Um beijinho amigo bfsemana e bom regresso.

De José da Xã a 11.03.2013 às 09:16

Hum! Não é grande coisa...

Mesmo assim obrigado por comentares.

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