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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Quinta-feira, 09.02.12

Prosa/Poema para um fim de tarde

Daqui deste alto, tão alto que quase toco as estrelas,

Vejo ao fundo a linha de horizonte, ténue

Onde pontos brancos tocam o céu.

 

Daqui deste alto, tão alto, que quase abraço a Lua,

Vejo almofadas brancas e singelas,

onde o sol por fim repousa.


Daqui deste alto, tão alto que quase me sinto voar

Vejo o condor em voos serenos e fatais,

Mirar a presa perfeita e ingénua.


Daqui deste alto, tão alto que quase agarro o vento,

Vejo o verde da planície recortada,

Alagar o vale de esperança primaveril.


Daqui deste alto, tão alto, há quem veja o mar,

Pode ser que sim…

Mas eu também não sei o que é o mar!

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por José da Xã às 13:06


2 comentários

De Fátima Soares a 25.03.2012 às 00:20

Mas eu penso que não deve "desmerecer" o seu poema, porque o achei muito bonito. A nossa forma de escrever é muito própria e eu penso (também me foco aqui a mim) que pensamos sempre que o que fazemos não é assim tão importante. Desvalorizamos e desvalorizando o que fazemos, não somos capazes de ver-lhe a beleza que outros de "fora" lhe denotam e ter um poeta a ler um poema nosso é marcante. É um orgulho. E como vê ele achou-o digno de ser lido, como eu também o acho belo. Obrigada por mo "dar" a ler. Abraço, com admiração genuína.

De José da Xã a 25.03.2012 às 00:32

Como já lhe referi algures (as nossas conversas tendem a tornar-se debates...) participei numa oficina de poesia. Um dia o mestre José Fanha deu-nos um mote que era " e eu também não sei o que é o mar" para escrever-mos um poema.
Ora estava eu a meia hora de entrar para a oficina e sem nada escrito, quando de repente me lembrei que na minha aldeia, enfiada no fundo da serra dos Candeeiros, falava-se há muito tempo que por vezes, em noites de silêncio conseguia-se ouvir o mar. Se se ouvia no fundo do vale, melhor se ouviria no cimo da serra. E assim surgiu este poema.
Quanto ao sentimento de rigor que sentimos connosco é natural. E ainda bem que assim é. O pior é que muitas vezes (comigo já aconteceu!!!) a emenda é pior que o soneto...

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