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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Quinta-feira, 14.06.12

Sentidos dos dias - Introdução

 

 

 

Nova História

 

A vida! Crescer. E quando a um homem não é só o que lhe pedem para ser... Homem! Mas também soldado. Que lute! Por algo que nunca quis fosse seu. Longe da pátria, numa terra estranha, gente que não a sua e uma arma na mão. Matar ou morrer.

Não podes pensar. Só agir. Ninguém se importa se és pacifista, se não queres estar ali, tens nojo do que se passa ao teu lado, mas não podes intervir. Lembras-te de casa. Rostos, cheiros. Do Lar! Ali vês terra vermelha e pó! Carros de combate. Comes mal, bebes uma zurrapa e engoles pó. Ele habita o teu corpo e está por todo o lado. Queres gritar. Abandonar tudo mas seria a desonra. A prisão. E depois um dia...Acaba! Tão abruptamente que ao acordares longe tens de te beliscar todos os dias para saberes se é real.

O corpo no entanto recusa essa paz, faz-te recordar. Martiriza-te e dói-te. Não há sossego.

Algo ficou para trás. Reviver um passado é como arrancar mexilhão da rocha. Terá de ser a ferramenta muito rija… E o saco enorme! Quase três anos no mato. Precisamente mil dias. A matar nem sabia bem o quê, que os turras jamais davam a cara. Finalmente o regresso à Metrópole. Rever família, amigos, conhecer a madrinha de guerra.

 África marca um homem. O tal pó vermelho da terra, os olhares sinceros dos nativos, aquele pôr do sol escarlate. E os sentimentos? Que fazer deles?  Hoje, tantos anos passados, quando a meta final se aproxima em passos gigantes, é necessário procurar os sentidos dos dias… Passados e presentes. A mão treme já. Ela que fora tão firme de FBP empunhada. Quiçá para poderes dormir à noite e te levantares leve, necessites regressar. A vida não se compadece dos dias idos. É um rolo compressor que tudo derrete e trucida. Evocações a um passado já tão longínquo. Passou tanto tempo...Tanto tempo! Valeria a pena reabrir a ferida? Ninguém sabe o que existe por detrás duma alma ferida. Dor, ensejo? Paixão, revolta? Esperança ou desilusão? Apenas um sorriso de alegria? Como estará a terra? As gentes? E...

Era ali, mas hoje nada está de pé. Nada é o mesmo. E, sentes-te... Um nada também? Sacas o livro do bolso e recapitulas. Começas a viver de novo o inferno, para poderes alcançar o céu! è como um filme diante dos teus olhos.

 

Aos Domingos e 4ªas feiras

 

Verniz Negro / José da Xã

 

 

 

 

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por José da Xã às 12:41



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