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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Quinta-feira, 24.05.12

Trilhos Privados – XVII Vingança

Quando chegou a casa, encontrou a sua última conquista toda nua deitada na sua cama. Guilherme não gostou de a ver ainda em casa e correu com a jovem de um loiro espampanante e pouco atraente.

- Olha lá, mas tu julgas que isto é algum hotel? Vá, vamos a despachar que tenho mais que fazer.

A jovem levantou-se da cama e toda despida dirigiu-se à casa de banho onde tomou um duche rápido, mas que a Gui pareceu uma eternidade.

Finalmente despachou-se e saiu quase a correr. Um táxi esperava-a à porta. Gui fechou-lhe a porta e viu desaparecer o carro no fundo da rua. Entrou em casa e mais calmo rememorou a sua manhã.

Ricardo, o seu selecto motorista embeiçado com uma cróia. E depois os chineses…  Que estariam ali a fazer? Por uma vez sentira-se impotente… Mas jurou vingança. Bastar-lhe-ia um telefonema e o chinês e os seus amigos passariam um mau bocado.

Foi  à garagem e retirou o belo Porsche, colocando lá dentro a moto.  A manhã estava a querer-se virar para chuva. Nuvens plúmbeas e pesadas começavam a invadir o firmamento. O frio amenizara mas adivinha-se com facilidade chuva. Gui abriu o portão eléctrico de fora da vivenda. Por fim retirou o carro e fechou o portão. Seguiu então para Lisboa onde o esperavam para ultimar um negócio. Tocou o telemóvel. No visor estava escrito Sérgio. Não lhe apetecia falar, mas os negócios…

- Bom dia Sérgio.

- Olá Gui, então que tal?

- Que tal o quê?

- A miúda? Saiu-se bem…

- Eh pá nem me digas nada…

- Mas olha que eu cobrei o serviço. E não foi tão pouco quanto isso.

- Eu sei! Mas o chinês passou-se com a gaja…

- Passou-se como?

- Não sei como é que foi… mas deve ter-lhe dado a volta.

- Ena que cena! Mas ela não foi…

- Foi, foi, que eu própria a levei ao gajo no restaurante. Jantou connosco e subiu com ele, que eu disse-lhe o que tinha a fazer.

- Ah então tudo bem…

- Tudo bem o tanas… A gaja anda enrolada com o motorista que tenho para estes casos e nem sei como, o chinês estava também hoje no funeral do velho.

- Do pai?

- Sim, do pai dela!

- Explica-me lá isso outra vez… A gaja anda com o teu motorista?

- Parece que sim… Mas eu nem sabia disso. E hoje de manhã fui ao funeral do velho dela, apenas para controlar a gaja e dou de caras com o “nosso” amigo chinês e ela aos beijos ao outro sacana… Ainda andámos ali com coisas mas depois vieram os guardas costas do outro e tive de cavar. E agora não sei que fazer a esse filho da mãe do Ricardo…

Sérgio Gouveia conhecia bem Guilherme e achou por bem por alguma água naquela fervura.

- Gui, tem calma…

- Calma, eu! Eu dou cabo dele…

Sérgio já nem percebia de quem se estava a falar. Tentou esclarecer:

- Mas dás cabo de quem?

Gui perdeu as estribeiras.

- Dou cabo de todos, do chinês, do Ricardo, da gaja… Fod…

- Gui , tem calma.

- Tenho calma, o caraças… Aquela desgraçada saiu-me melhor que a encomenda. O único gozo é que fui o primeiro… Isso, ninguém me tira.

Um silêncio entre ambos. Sérgio não estava nada preocupado com os problemas de Gui, por isso voltou ao ataque, duma forma serena :

- Mas eu preciso de saber se posso contar com ela.

Gui riu-se e respondeu:

- Claro que podes… Eu tenho umas fotos dela em posições pouco recomendáveis e que posso publicá-las num instantinho. E até me davam dinheiro por elas….

- Toma cuidado… Isso da chantagem pode dar mau resultado.

- O que dá mau resultado é não ganhar nenhum… E eu anda a precisar de um carro novo…

- Ainda tens esse vício… dos carros?

- Meu amigo, eu não tenho um vício, tenho um gosto…

 

José da Xã

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por José da Xã às 17:21



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