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José da Xã

Escrever mesmo que a mão me doa.



Domingo, 06.07.14

21 dias na aldeia (2)

 

I – O Vento

 

Um raio de luar espreita a povoação

Por detraz do cabeço, orgulhoso e altivo

Quere saltar o monte alto, deixar de ser cativo,

Ultrapassar as grades, ser livre da prisão.

Há estrelas também! E há também o vento.

Que as faz bailar lá em cima no escuro firmamento!

 

E sopra o vento forte! E espreita o luar!

E bailam as estrelas brilhando, a cintilar!

 

Soa ao longe um latido dum cão bem vigilante.

Que é? Se não é gente que vem para roubar!

É nos ramos da oliva o vento a perpassar

A fazê-los tremer, num trémulo vibrante.

 

E o vento que acorda o bom do cão amigo,

Que faz tremer os ramos das olivas despertas

É ‘inda o mesmo vento, o mesmo Eolo antigo

Que nos antigos tempos levou às descobertas,

Que levou os heróis, por esse mar além,

A construir impérios e estradas abertas

Aos humanos gentios da nossa pátria-mãe.

 

É esse mesmo vento que numa hora calma,

Me incita a versejar e acorda a minha alma!

 

 

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por José da Xã às 18:29



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